Maria Lucimar Pereira entrou para a história como uma das pessoas mais longevas já registradas no Brasil. Nascida em 3 de setembro de 1890, no município de Feijó, no Acre, ela faleceu em 21 de maio de 2022, aos impressionantes 131 anos e 260 dias. Sua idade extraordinária chamou a atenção de pesquisadores e órgãos públicos ao longo dos anos.
Conhecida em sua comunidade pelo nome indígena Parã Banu Bake Huni Kui, Maria Lucimar pertencia ao povo Kaxinawá, também chamado de Huni Kuin. No entanto, para obter o registro oficial em cartório, precisou adotar um nome compatível com os padrões exigidos pelas autoridades brasileiras da época. Sua certidão de nascimento foi reconhecida oficialmente em 1985.
Ela viveu praticamente toda a vida em uma região isolada da Amazônia, na Aldeia Boca do Grota, localizada no seringal Curralinho, interior do Acre. Maria Lucimar falava apenas a língua Kaxinawá e raramente saía de sua comunidade, realizando visitas ocasionais à cidade de Feijó. O local onde morava não contava com sinal de televisão ou telefonia celular, preservando um modo de vida tradicional.
Segundo registros do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sua data de nascimento nunca apresentou irregularidades comprovadas, mesmo após análises realizadas por técnicos e assistentes sociais. Por conta disso, Maria Lucimar chegou a ser apontada como uma das pessoas mais velhas do mundo, tornando-se uma figura de grande relevância na história da longevidade brasileira.
Vida isolada na Amazônia despertou curiosidade de pesquisadores
A trajetória de Maria Lucimar chamou atenção não apenas pela idade avançada, mas também pelo contexto em que viveu. Em sua aldeia, a longevidade parecia ser algo relativamente comum. Entre os cerca de 80 moradores da comunidade, quatro pessoas tinham mais de 90 anos, fato que despertou o interesse de estudiosos sobre hábitos de vida e condições ambientais da região.
Sua história também simboliza a resistência cultural dos povos indígenas da Amazônia. Mantendo suas tradições, idioma e costumes ao longo de mais de um século, Maria Lucimar atravessou diferentes períodos da história do Brasil sem abandonar suas raízes, tornando-se uma das personagens mais marcantes da memória indígena acreana.










