No coração da Floresta Amazônica, uma estrada construída para integrar a região ao restante do Brasil acabou se transformando em um dos maiores símbolos de abandono da infraestrutura nacional. A BR-319, que liga Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia, possui 885 quilômetros de extensão e é a única conexão terrestre entre o Amazonas e o restante da malha rodoviária brasileira.
Inaugurada em 1976 durante o regime militar, a rodovia foi entregue totalmente asfaltada e permitia que a viagem entre as duas capitais fosse realizada em cerca de 12 horas. No entanto, a falta de manutenção ao longo dos anos provocou a deterioração da via, especialmente em seu trecho central, que se tornou praticamente intransitável durante os períodos de chuva.
O abandono da BR-319 se consolidou a partir da década de 1980, quando grande parte do pavimento original foi perdida. Em diversos trechos, a estrada passou a ser formada apenas por terra e barro, dificultando a circulação de veículos e comprometendo o transporte de passageiros e mercadorias.
Mesmo após décadas de debates e promessas de recuperação, a rodovia continua no centro de discussões sobre desenvolvimento regional e preservação ambiental. Enquanto autoridades e moradores defendem melhorias para reduzir o isolamento do Amazonas, ambientalistas alertam para possíveis impactos sobre áreas preservadas da floresta.
Rodovia segue cercada por controvérsias
O chamado “trecho do meio” é considerado o principal desafio da BR-319. Com centenas de quilômetros sem pavimentação adequada, essa parte da estrada costuma apresentar condições precárias de tráfego, especialmente durante o inverno amazônico, quando atoleiros e erosões dificultam a passagem de veículos.
Nos últimos anos, diferentes projetos de reconstrução e asfaltamento voltaram a ser discutidos pelo governo federal. Apesar disso, questões ambientais e disputas judiciais continuam influenciando o futuro da rodovia, que permanece como uma das obras mais debatidas da Amazônia brasileira.










