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Construída na capital do Brasil, área residencial foi erguida em cima de um cemitério indígena

Por João Carlos Gomes
02/06/2026
Construída na capital do Brasil, área residencial foi erguida em cima de um cemitério indígena

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Juntamente com locais como a Asa Sul, a Asa Norte e o Setor Militar Urbano (SMU), o Setor Noroeste é uma área nobre da capital do Brasil que compõe o Plano Piloto de Brasília que se destaca não apenas pelo valor do metro quadrado na região, mas também por uma particularidade singular.

Trata-se do último setor habitacional a ser construído na área tombada como patrimônio histórico e cultural da humanidade, uma vez que o asfalto de alto padrão passou a ocupar grande parte da Terra Indígena Santuário dos Pajés que, atualmente, possui apenas 32,5 hectares.

E é importante destacar que os impactos da expansão imobiliária transcendem a perda territorial, pois de acordo com o líder indígena e estudante de sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Fetxawewe Tapuya Guajajara, fragmentos históricos também foram soterrados.

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Isso porque, em entrevista ao portal g1, ele revelou que, atualmente, um dos três cemitérios que faziam parte do Santuário dos Pajés está bem embaixo de um prédio residencial construído na quadra 108, bloco A.

De acordo com Fetxawewe, ossadas sagradas foram removidas durante as escavações para a construção de um estacionamento no local. E em virtude dessa profanação do solo sagrado, a realização de rituais tradicionais e cultos foi permanentemente inviabilizada.

Empresa diz não ter conhecimento de cemitério indígena

A Brasal Incorporações, que é a responsável pela construção dos prédios, foi contatada pelo g1 para esclarecer o ocorrido. Todavia, em nota, a empresa rebateu as acusações, garantindo não reconhecer a existência de um cemitério indígena na área onde os edifícios da quadra 108 foram erguidos.

A incorporadora reforçou que os empreendimentos construídos cumpriram os requisitos exigidos em lei e foram integralmente aprovados pelos órgãos responsáveis. Contudo, ela também afirmou não ter feito nenhum contato com os indígenas.

Entidades como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o próprio Governo do Distrito Federal também foram procurados pelo g1 para prestar esclarecimentos sobre a situação. No entanto, apesar das tentativas de contato, não houve retorno.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
João Carlos Gomes

João Carlos Gomes

Jornalista formado pelo Centro Universitário Carioca, fã de música e apaixonado pela profissão.

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