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Demorei muito para entender por que na Islândia quase ninguém usa sobrenome da forma tradicional

Por Caio César Gomes
05/06/2026
Demorei muito para entender por que na Islândia quase ninguém usa sobrenome da forma tradicional

Reprodução

A Islândia é um país conhecido por suas paisagens impressionantes, vulcões, geleiras e também por características marcantes de sua população, como olhos claros, pele branca e cabelos loiros. No entanto, existe um detalhe cultural que costuma surpreender quem conhece os islandeses pela primeira vez: a forma como eles utilizam os nomes.

Diferentemente da maior parte do mundo, os habitantes da ilha não seguem a tradição dos sobrenomes familiares passados de geração em geração. O sistema utilizado no país é chamado de patronímico ou matronímico. Isso significa que o “sobrenome” de uma pessoa é formado a partir do primeiro nome do pai ou da mãe, em vez de representar uma linhagem familiar.

Entre os homens, a regra mais comum é acrescentar o sufixo “son”, que significa “filho de”. Assim, um menino chamado Agnar, filho de Björn, receberia o nome Agnar Björnsson. Quando esse mesmo Agnar tiver filhos, eles não herdarão Björnsson, mas sim um novo sobrenome criado a partir do nome dele, dando continuidade ao sistema tradicional islandês.

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Já entre as mulheres, utiliza-se normalmente o sufixo “dóttir”, que significa “filha de”. Dessa forma, uma menina chamada Astrid, filha de Björn, seria conhecida como Astrid Björnsdóttir. Atualmente, também é perfeitamente aceitável que o nome da mãe seja utilizado como referência para filhos e filhas, algo que se tornou mais comum nas últimas décadas.

Um sistema único que continua preservado até os dias atuais

Outra curiosidade que chama atenção é o que acontece após o casamento. Enquanto em muitos países é comum que a mulher adote o sobrenome do marido, na Islândia essa prática praticamente não existe. As pessoas mantêm o nome recebido ao nascer durante toda a vida, independentemente do estado civil, preservando a identidade construída a partir da família de origem.

Além disso, o país possui um rígido controle sobre os nomes registrados. Existe um Comitê de Nomeação responsável por avaliar e aprovar os nomes de recém-nascidos, garantindo que eles estejam de acordo com as regras da língua islandesa.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Caio César Gomes

Caio César Gomes

Jornalista por formação (Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP), apaixonado por contar boas histórias.

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