Com a recente onda de instabilidade econômica global provocada pelo aumento de tarifas imposto por Donald Trump a diversos países, incluindo o Brasil, investidores do mundo todo estão voltando sua atenção para o ouro, que é um ativo tradicionalmente visto como porto seguro em tempos de crise.
Não à toa a cotação do metal disparou nos últimos meses, impulsionada pela incerteza nos mercados e pela busca por ativos tangíveis.
Esse cenário tem um reflexo direto e preocupante no Brasil, onde uma área indígena remota e pouco conhecida do grande público, rica em ouro, tornou-se alvo da mineração ilegal, prática proibida, mas altamente lucrativa.
Lugar habitado por indígenas no Brasil que poucos sabem chove ouro e virou uma mina de dinheiro
Essa terra é a Terra Indígena Yanomami, localizada entre os estados de Roraima e Amazonas. Trata-se de um dos maiores territórios indígenas do país, com uma população estimada de 30 mil indígenas.
Pela lei brasileira, é terminantemente proibida qualquer atividade de mineração em áreas indígenas sem autorização específica do Congresso Nacional e consulta prévia às comunidades afetadas.
Ainda assim, há anos a região sofre com a invasão de garimpeiros ilegais, que exploram o subsolo em busca do ouro escondido sob a floresta.
O processo é complexo, mas bem articulado. O ouro retirado da Terra Yanomami é vendido por garimpeiros ou atravessadores como se tivesse sido extraído de outras áreas legalizadas, utilizando documentos como Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs), obtidas em locais distintos.
Isso é possível porque, pela legislação atual, não há exigência de comprovação material sobre a origem do ouro. Basta uma autodeclaração.
As Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVMs), autorizadas a comprar e revender o metal, não são obrigadas a verificar se o minério veio de uma fonte legal.
Esse vácuo legal permite que o ouro ilegal “entre limpo” no sistema financeiro e siga até joalherias, bancos e investidores do mercado formal.
Exploração ilegal de ouro causa problemas ambientais e prejudica povos indígenas
Enquanto isso, a exploração ilegal causa devastação ambiental, contamina rios com mercúrio e ameaça a saúde dos povos originários.
As consequências vão além da floresta: alimentam uma cadeia de crimes que inclui lavagem de dinheiro, corrupção e violência armada contra os indígenas locais.
Nos últimos anos, o Governo Federal tem intensificado as ações de combate à mineração ilegal em terras protegidas. Uma das principais frentes é a Casa de Governo em Roraima, que coordena operações com o apoio de mais de 20 ministérios e órgãos federais.
Desde 2024, essas ações resultaram em mais de 7.400 fiscalizações, incluindo o fechamento de pistas clandestinas de pouso e a aplicação de multas milionárias.
Apenas em 2025, já foram apreendidos mais de 150 quilos de ouro de origem suspeita, totalizando um prejuízo superior a R$ 100 milhões para as organizações criminosas.
Lei no Brasil precisa mudar para proteger terras indígenas
Apesar desses avanços, especialistas alertam que o verdadeiro gargalo está na legislação.
Enquanto a lei permitir que a origem do ouro seja determinada apenas por autodeclaração, o ciclo da ilegalidade continuará girando.
Para romper essa cadeia, será necessário mudar as regras do jogo, exigindo rastreabilidade, fiscalização eficiente e punição exemplar para quem lucra com a destruição de territórios protegidos.






