A auditora Juliana Prates Caminha só descobriu a dimensão do vício do irmão, Otacílio Prates, após a morte dele por suicídio em dezembro do ano passado. Também auditor, ele tinha 46 anos e deixou uma dívida estimada pela família em pelo menos R$ 1,5 milhão, acumulada principalmente em plataformas de apostas online.
Juliana relatou que o irmão escondia o problema dizendo que havia perdido dinheiro em investimentos, como day trade, criptomoedas e operações com amigos. Por ser um servidor público com boa renda e conhecimento financeiro, a justificativa inicialmente parecia plausível para a família, o que atrasou a percepção do vício.
A situação só ficou clara depois da morte, quando Juliana teve acesso a uma carta deixada pelo irmão e ao celular dele. No aparelho, foram encontrados aplicativos de apostas, contas ativas e grupos de apostadores, revelando a extensão do envolvimento com esse tipo de plataforma.
Segundo a família, a dívida ultrapassa R$ 1,5 milhão e ainda está sendo levantada, já que novos débitos continuam surgindo. Otacílio tinha seis empréstimos consignados e mais de 15 cartões de crédito, além de já ter acumulado cerca de R$ 300 mil em economias anteriormente.
Mudanças de comportamento e alerta para o vício
Juliana afirma que o comportamento do irmão mudou com o avanço do vício, tornando-se mais fechado, ansioso, irritado e excessivamente preso ao celular. Ele, que antes era descrito como uma pessoa alegre e próxima da família, passou a pedir dinheiro com frequência e a demonstrar instabilidade emocional.
Em determinado momento, Otacílio chegou a ter um surto e foi internado em uma clínica psiquiátrica após a família notar o agravamento da situação. O caso levanta um alerta sobre o impacto das apostas online e a dificuldade de identificação precoce do vício, especialmente quando ele é mascarado por outras formas de “investimento”.










