Na natureza, vocalizações de alta intensidade configuram-se como mecanismos fundamentais de sobrevivência, pois além de servirem como um alerta para ameaças, elas também podem afugentar predadores, dependendo de sua intensidade.
Nesse âmbito, o macaco-bugio (Alouatta) se destaca tranquilamente, já que seu grito avassalador, que é popularmente chamado de “ronco”, é considerado um dos mais potentes da natureza.
De acordo com especialistas, a vocalização do primata atinge marcas expressivas de até 130 decibéis. Em termos comparativos, a intensidade dessa onda sonora se equipara à poluição acústica gerada por uma turbina de avião a jato a curta distância.
As ondas sonoras emitidas pelos bugios ainda são capazes de se propagar por um raio de 3 a 5 quilômetros, mesmo através de densas coberturas vegetais. Dessa forma, quando os macacos vocalizam, seus chamados podem ser ouvidos a grandes distâncias.
Vale destacar que existem dezenas de espécies de bugio espalhadas pelo mundo. Contudo, embora sua pelagem e dimensões apresentem diferenças, o grito potente é uma característica comum a todos indivíduos do gênero.
O segredo do grito: conheça o mecanismo de vocalização do macaco-bugio
Para produzir seu poderoso grito, o macaco-bugio conta com uma adaptação anatômica única: a dilatação do osso hióide. Localizada na garganta, essa estrutura amplifica o som gerado nas cordas vocais do animal.
Por apresentar dimensões significativamente superiores às de outros primatas, o osso hióide desse grupo comporta uma ampla bolsa de ar que infla à medida que o ar é expelido dos pulmões.
E é justamente essa bolsa que, por desempenhar uma função análoga à caixa de ressonância de um violão ou ao bumbo de uma bateria, eleva a intensidade acústica e potencializa as frequências graves do grito do primata, tornando-o extremamente potente, imponente e capaz de ser ouvido de longe.










