Definir se uma família é de classe baixa, média ou alta no Brasil não depende apenas do salário. O cálculo leva em conta a renda total da casa, o número de moradores e até o padrão de consumo. Por isso, não existe uma tabela única e oficial que determine essas faixas de forma definitiva.
Uma das referências mais usadas é o estudo do economista Marcelo Neri, da FGV Social, no trabalho “Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024”. Nesse modelo, a chamada classe C — frequentemente associada à classe média — considera a renda domiciliar mensal entre R$ 2.525 e R$ 10.885 (valores de 2023).
Dentro dessa mesma metodologia, a classe B fica entre R$ 10.885 e R$ 14.191 por mês, e a classe A começa acima de R$ 14.191 por domicílio. Esses valores ajudam a entender como a renda se distribui no país, mas não funcionam como uma regra rígida, já que o custo de vida muda bastante de uma região para outra.
Segundo o IBGE, o rendimento domiciliar per capita no Brasil em 2024 foi de R$ 2.069. Isso ajuda a mostrar por que a noção de “classe média” varia tanto: uma mesma renda pode ter poder de compra muito diferente dependendo do número de moradores da casa e da cidade onde vivem.
Por que a renda não é o único fator que define classe média
Além da renda, outros critérios também entram na análise, como escolaridade, acesso a serviços e bens de consumo. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), por exemplo, usa um sistema que combina esses elementos para classificar as famílias de forma mais ampla.
No fim, mais do que uma etiqueta fixa, a ideia de classe média no Brasil serve para entender o nível de consumo e as desigualdades sociais. Ela mostra uma faixa intermediária da população, mas com grande variação interna, já que a realidade de cada família depende de muitos fatores além do salário.










