{"id":14490,"date":"2026-01-22T19:00:00","date_gmt":"2026-01-22T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodepernambuco.audiencelabs.com.br\/?p=14490"},"modified":"2026-01-21T10:59:50","modified_gmt":"2026-01-21T13:59:50","slug":"planta-zumbi-volta-a-vida-apos-as-secas-e-desafia-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodepernambuco.audiencelabs.com.br\/planta-zumbi-volta-a-vida-apos-as-secas-e-desafia-a-ciencia\/","title":{"rendered":"Planta zumbi volta \u00e0 vida ap\u00f3s as secas e desafia a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>Desertos e samambaias dificilmente s\u00e3o associados, mas no Deserto de Chihuahua, que se estende entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico, existe uma esp\u00e9cie singular conhecida como \u201cplanta da ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (Selaginella lepidophylla). Diante de condi\u00e7\u00f5es extremas de aridez, a planta entra em estado de dorm\u00eancia, seca completamente e passa a aparentar estar \u201cmorta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Basta, por\u00e9m, uma chuva rara para que a planta \u201creviva\u201d, abrindo-se em um espet\u00e1culo de folhas verdes intensas. Em sua fase ativa, os caules da Selaginella lepidophylla s\u00e3o verdes, achatados e organizados em padr\u00e3o espiral. J\u00e1 durante o per\u00edodo de dorm\u00eancia, essas hastes se retraem, adquirem tonalidade acinzentada ou marrom e formam uma bola compacta de cerca de 6 a 8 cent\u00edmetros.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse comportamento impressionante \u00e9 resultado de uma adapta\u00e7\u00e3o extrema ao ambiente hostil do deserto. A Selaginella lepidophylla \u00e9 capaz de perder quase toda a \u00e1gua de seus tecidos sem sofrer danos irrevers\u00edveis, interrompendo temporariamente suas fun\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas. Nesse estado, pode permanecer inativa por meses ou at\u00e9 anos, sendo facilmente transportada pelo vento.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a umidade retorna, mesmo em pequenas quantidades, a planta reativa rapidamente seus processos biol\u00f3gicos. As c\u00e9lulas absorvem \u00e1gua, os tecidos se expandem e a fotoss\u00edntese \u00e9 retomada em poucas horas, permitindo que volte a crescer e se reproduzir. Essa capacidade de \u201cressurrei\u00e7\u00e3o\u201d continua sendo alvo de estudos cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Adapta\u00e7\u00e3o extrema que garante sobreviv\u00eancia no deserto<\/h2>\n\n\n\n<p>A habilidade de entrar em dorm\u00eancia profunda faz da planta da ressurrei\u00e7\u00e3o um exemplo raro de resist\u00eancia biol\u00f3gica. Ao suspender quase completamente suas atividades vitais, ela evita danos estruturais nas c\u00e9lulas, protegendo prote\u00ednas e membranas mesmo ap\u00f3s longos per\u00edodos sem \u00e1gua. Essa estrat\u00e9gia permite que a esp\u00e9cie sobreviva em um dos ambientes mais in\u00f3spitos do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de impressionar pela apar\u00eancia, o mecanismo da Selaginella lepidophylla desperta interesse cient\u00edfico por seu potencial aplicado. Pesquisadores estudam suas propriedades para compreender melhor a toler\u00e2ncia \u00e0 desseca\u00e7\u00e3o, um conhecimento que pode contribuir para avan\u00e7os na agricultura, na preserva\u00e7\u00e3o de sementes e no desenvolvimento de culturas mais resistentes \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desertos e samambaias dificilmente s\u00e3o associados, mas no Deserto de Chihuahua, que se estende entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico, existe uma esp\u00e9cie singular conhecida como \u201cplanta da ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (Selaginella lepidophylla). 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