A nova formulação da gasolina chamada E30 chegou às bombas dos postos de abastecimento do Brasil nesta semana e ligou o alerta para os mais de 74 milhões de condutores habilitados no país. Muitos veículos são sensíveis à alta quantidade do combustível, especialmente modelos importados, modelos de alto desempenho como esportivos e também modelos antigos.
Antes com 27%, a gasolina comum agora é aditivada com 30% de combustível vegetal. Com isso, a octanagem — ou resistência à detonação — sobe de 93 para 94 RON. Donos de carros importados que previam uso de gasolina pura e foram só ajustados para uso com o nosso combustível devem ficar atentos.
Isto porque veículos deste tipo não foram desenvolvidos para rodar com muito etanol no tanque. O mais indicado é não deixar o combustível parado por longos períodos, o que eleva o risco de corrosão e desgaste no motor. Existe ainda a opção pela gasolina premium, que custa cerca de 20% a mais e contém entre 22% e 25% de etanol.
Os donos de carros antigos também devem estar ligados. Modelos fabricados antes do começo dos anos 1980 tendem a sofrer problemas nos injetores, no carburador e na admissão por conta da nova mistura. Nestes casos, também é indicado o uso de gasolina premium.
Conheça a Gasolina E30
A nova Lei do Combustível do Futuro foi sancionada em outubro de 2024 pelo presidente Lula. A principal mudança é o aumento do teor de etanol anidro na gasolina.O mínimo de etanol na mistura passa a ser de 22%, com limite de 35%. Porém, de início, o aumento será de 30%, conforme aprovado pelo Ministério de Minas e Energia em dezembro.

De acordo com o MME, a transição evitará a importação de 760 milhões de litros de gasolina por ano e ainda irá gerar um aumento de 1,5 bilhão de litros na demanda por etanol, com um investimento estimado em R$ 9 bilhões no setor. Existe a expectativa de que o Brasil se torne independente da importação de gasolina devido a produção nacional do derivado da cana.
O comportamento do veículo muda com a Gasolina E30?
A resposta curta é: não. Em entrevista ao ‘WebMotors’, o engenheiro Erwin Franieck, Membro do Conselho Superior da SAE BRASIL e do Conselho de Inovação da SAE4MOBILITY, afirmou que “o etanol anidro não é nocivo”.
“O grande problema é a água do etanol combustível. O grande desafio desses motores é suportarem até 7% de água. Como o anidro tem menos de 1% de água, sua atuação na gasolina funciona quase como a de um aditivo de alta octanagem — melhorando a queima, sem comprometer o sistema”, disse o especialista.






