A Organização Mundial da Saúde acionou o mais alto mecanismo de emergência sanitária internacional após o avanço de um novo surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. O anúncio foi feito no domingo (17) pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que classificou a situação como uma ESPII, o nível máximo de alerta da organização.
Apesar da gravidade do cenário, a OMS ressaltou que o surto ainda não atende aos critérios necessários para ser considerado uma pandemia, como aconteceu com a COVID-19. O atual avanço da doença envolve a variante Bundibugyo do vírus Ebola, considerada especialmente preocupante porque ainda não possui vacinas ou medicamentos aprovados especificamente para tratamento e prevenção.
Segundo dados divulgados pela OMS e pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, o surto já figura entre os maiores já registrados envolvendo essa variante. Na República Democrática do Congo, o foco principal está concentrado na província de Ituri, onde já foram notificados cerca de 395 casos suspeitos e 106 mortes.
O avanço da doença para áreas urbanas e o registro de casos em Uganda aumentaram o nível de preocupação internacional. Autoridades ugandesas confirmaram duas infecções em viajantes vindos do Congo, incluindo um homem de 59 anos que morreu após testar positivo.
Variante Bundibugyo preocupa especialistas pela falta de vacina
A variante Bundibugyo do Ebola vem sendo tratada com atenção especial pelas autoridades sanitárias internacionais por ainda não possuir imunizantes ou medicamentos específicos aprovados. Isso torna o controle do surto mais complexo, especialmente em regiões que enfrentam dificuldades estruturais no sistema de saúde.
Especialistas também apontam que a intensa circulação de pessoas entre cidades e países africanos pode favorecer novos casos nos próximos meses. Mesmo sem classificação de pandemia até o momento, a Organização Mundial da Saúde reforçou a necessidade de vigilância máxima e cooperação internacional para evitar uma expansão ainda maior da doença.






