Uma pesquisa mostra que a obesidade avançou de forma expressiva no Brasil nas últimas duas décadas. Dados da Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que a proporção de adultos com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, atingindo 25,7% da população, o equivalente a um em cada quatro brasileiros.
Quando considerado o sobrepeso, o cenário é ainda mais amplo: 62,6% estão acima do peso recomendado. Em um cenário global em que cerca de 16% dos adultos vivem com obesidade, segundo a a Organização Mundial da Saúde (OMS), esses números colocam o Brasil acima de média mundial.
Jovens e mulheres entre os mais afetados
O avanço foi mais intenso entre pessoas de 25 a 34 anos, especialmente mulheres e indivíduos com escolaridade intermediária. Em outro levantamento, do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), baseado em atendimentos na atenção primária do SUS, indica percentuais ainda mais elevados entre usuários do sistema público.
Entre os estados, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro aparecem com as maiores taxas proporcionais, enquanto Maranhão e Piauí registram índices menores.
Alimentação e sedentarismo como causas
Especialistas apontam que o crescimento da obesidade é resultado de múltiplos fatores. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em calorias e pobres em nutrientes, tem substituído itens tradicionais da dieta brasileira, como feijão, frutas e verduras.
Além disso, a prática de atividade física permanece abaixo do ideal. Menos da metade dos adultos se exercita no tempo livre e a movimentação no deslocamento diário é ainda menos frequente.
Tratamento e desafios estruturais
Médicos defendem que a obesidade deve ser encarada como doença crônica, influenciada por genética, ambiente, sono e condições socioeconômicas. Medicamentos mais recentes têm mostrado resultados promissores, mas o custo elevado limita o acesso. A cirurgia bariátrica, reservada para casos severos, segue disponível pelo SUS, porém enfrenta longas filas.
Para especialistas, conter o avanço da obesidade exige mais do que mudanças individuais: envolve políticas públicas, acesso a alimentos saudáveis e ambientes que favoreçam escolhas mais equilibradas.






