Pais de estudantes da Escola de Aplicação da USP foram informados de que, no começo do ano letivo de 2026, as turmas do 1º ao 5º ano terão aulas mais curtas. A medida temporária foi adotada como forma de garantir atendimento seguro aos alunos, diante da insuficiência de profissionais especializados para acompanhar crianças com deficiência.
A unidade, conhecida por seu histórico de inclusão, viu crescer significativamente o número de matrículas de estudantes que necessitam de apoio educacional especializado.
Neste ano, por exemplo, um quarto das 60 vagas abertas para o 1º ano foi preenchido por crianças com algum diagnóstico que exige acompanhamento específico.
Para efeito de comparação, na média nacional esse percentual gira em torno de 5,6%, conforme dados do Censo Escolar.
Apesar do aumento da demanda, o quadro de profissionais não acompanhou essa expansão. Atualmente, dois professores de educação especial atendem aproximadamente 40 alunos que precisam desse suporte. A direção da escola afirma que solicitou reforço na equipe diversas vezes à reitoria, mas não obteve autorização para novas contratações.
Redução temporária e chegada de estagiários
Sem a ampliação do quadro efetivo, a alternativa encontrada foi reduzir em uma hora e meia a carga diária das turmas dos anos iniciais durante parte de fevereiro.
A decisão foi apresentada às famílias em reunião conduzida pela direção. Posteriormente, foi informado que os estagiários previstos para começar apenas em março terão a entrada antecipada para o dia 23 de fevereiro, o que deve encurtar o período de aulas reduzidas.
A escola também reivindicou a contratação de profissionais de apoio para auxiliar em atividades como alimentação, higiene e locomoção. Pelo menos dez estudantes necessitariam desse acompanhamento individualizado.
Estrutura administrativa limita contratações
Vinculada à Faculdade de Educação e localizada na Cidade Universitária, na zona oeste de São Paulo, a Escola de Aplicação atende cerca de 700 alunos do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. Apesar de ser referência na formação de futuros professores, a unidade não possui autonomia para contratar diretamente novos servidores, dependendo de autorização da reitoria da USP.
Em nota, a universidade afirmou que trabalha para assegurar condições adequadas de atendimento e destacou a criação de um programa de bolsas voltado à iniciação e ao aperfeiçoamento da docência. A iniciativa prevê 30 bolsas direcionadas especificamente à escola, com início das atividades após o carnaval. Segundo a reitoria, os bolsistas atuarão sob supervisão pedagógica.
Preocupação das famílias
Responsáveis por alunos manifestaram receio de que a falta de profissionais comprometa a qualidade do ensino inclusivo que tornou a escola uma referência. Eles também apontam dificuldades estruturais enfrentadas nos últimos anos e cobram soluções mais permanentes.
A reitoria, por sua vez, sustenta que tem cumprido decisões judiciais e adotado providências dentro dos limites legais e administrativos. Também atribui o crescimento da procura por vagas ao reconhecimento do trabalho desenvolvido pela escola, o que teria aumentado a demanda por atendimento especializado.
Enquanto isso, a comunidade escolar aguarda medidas definitivas que permitam retomar a rotina completa sem ajustes emergenciais no horário das aulas.






