A Anvisa informou que está avaliando possíveis medidas jurídicas após a circulação de vídeos nas redes sociais mostrando pessoas ingerindo detergente da marca Ypê. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os conteúdos começaram a ser compartilhados depois da suspensão temporária de alguns produtos da empresa por irregularidades identificadas pela agência reguladora.
De acordo com Padilha, a Anvisa recebeu os vídeos e iniciou uma análise individual de cada caso para verificar quais providências podem ser adotadas judicialmente. O ministro afirmou que a pasta acompanha a repercussão dos conteúdos e destacou que a decisão da agência foi baseada em critérios técnicos, sem qualquer motivação política.
Os vídeos ganharam força após políticos e apoiadores de direita passarem a publicar gravações comprando produtos da marca e, em alguns casos, ingerindo detergente como forma de protesto contra a suspensão determinada pela Anvisa. O ministro declarou que a tentativa de transformar a decisão em uma disputa política é equivocada e reforçou que “a Anvisa não tem lado partidário”.
A repercussão também aumentou depois da divulgação de informações sobre doações feitas pelos proprietários da empresa para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. Enquanto isso, a agência segue acompanhando o caso e alerta para os riscos à saúde provocados pelo consumo inadequado de produtos de limpeza.
Entenda por que produtos da Ypê foram suspensos
Na última quinta-feira, a Anvisa publicou a Resolução nº 1.834/2026, suspendendo a fabricação e determinando o recolhimento de alguns lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca Ypê com numeração final 1. A decisão ocorreu após análises técnicas apontarem irregularidades em etapas consideradas críticas do processo de fabricação.
Dois dias depois, na sexta-feira, os produtos voltaram a ser liberados após recurso apresentado pela empresa. Mesmo assim, a recomendação para que consumidores evitem utilizar os itens incluídos na resolução continua válida até que todo o processo de recolhimento e verificação seja concluído pelas autoridades sanitárias.






