Considerado um dos maiores jogadores da história da Turquia, o ex-atacante Hakan Şükür vive uma realidade completamente diferente daquela dos tempos de glória nos gramados. Aos 54 anos, o antigo ídolo do Galatasaray trabalha como motorista de aplicativo em Washington e também vende livros para sustentar a família.
Em entrevista ao jornal alemão Welt am Sonntag, o ex-jogador afirmou que perdeu tudo após entrar em conflito político com o governo turco liderado por Recep Tayyip Erdoğan. Conhecido pelo apelido de “Kral”, que significa “O Rei”, Hakan Şükür marcou época no futebol internacional. Pela seleção turca, anotou 51 gols em 112 partidas.
O ex-atacante também entrou para a história das Copas do Mundo ao marcar o gol mais rápido do torneio, balançando as redes com apenas 11 segundos na disputa do terceiro lugar da Copa de 2002 contra a Coreia do Sul. Na carreira por clubes, ainda passou por equipes como a Internazionale, Parma e Blackburn.
Foi no Galatasaray, porém, que Hakan viveu seus melhores momentos. O ex-jogador marcou 293 gols em 552 partidas, conquistando oito Campeonatos Turcos, cinco Copas da Turquia e a histórica Copa da Uefa vencida sobre o Arsenal de craques como Thierry Henry, Dennis Bergkamp e Patrick Vieira.
As conquistas transformaram o atacante em uma verdadeira lenda do futebol turco e em um dos personagens mais populares do país no início dos anos 2000. Após encerrar a carreira em 2008, Hakan Şükür decidiu ingressar na política e foi eleito membro do parlamento turco em 2011 pelo partido AKP, ligado a Erdogan.
Perseguição levou Şükür a sair da Turquia
A relação entre os dois se deteriorou rapidamente após o ex-jogador se aproximar do movimento liderado pelo clérigo Fethullah Gülen. Acusado de ofender o presidente nas redes sociais e posteriormente associado a grupos considerados terroristas pelo governo, Şükür passou a sofrer perseguições políticas e viu seus bens serem congelados.
Sem conseguir permanecer na Turquia, o ex-atacante decidiu se exilar nos Estados Unidos ao lado da esposa e dos filhos. Segundo ele, o pai chegou a ser preso durante o período de maior tensão política. Hakan ainda tentou reconstruir a vida abrindo uma cafeteria nos EUA, mas o negócio acabou fechado após um fã que tirou foto com ele ser detido.






