Um estudo realizado pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp apontou que, entre 2021 e 2024, o número de ataques envolvendo as abelhas africanizadas (Apis mellifera) aumentou em 83%, passando de 18.668 para 34.252 ocorrências. Já a quantidade de óbitos cresceu 123%, alcançando 125 casos em 2023, número que se repetiu em 2024.
Para efeito de comparação, em 2023 o número de ataques de abelhas superou o registrado de ataques de serpentes, e essa tendência continua até o momento. Reconhecidas por seu papel na polinização e na produção de mel, as abelhas da espécie Apis mellifera parecem inofensivas quando vistas voando sozinhas pelo ambiente urbano.
O aumento significativo no número de ocorrências e mortes nos últimos anos levou o Cevap a publicar um artigo que destaca o envenenamento por picadas da espécie Apis mellifera como um problema de saúde pública negligenciado. O estudo foi divulgado na revista científica Frontiers in Immunology.
O artigo detalha as manifestações clínicas do envenenamento, os efeitos do veneno no organismo humano e avalia as tecnologias terapêuticas emergentes. Além disso, aponta que, até julho deste ano, foram registrados mais de 18 mil acidentes com abelhas no país.
A presença de abelhas africanizadas no Brasil
As abelhas africanizadas têm uma presença significativa no Brasil e são um tema importante em saúde pública e agricultura devido ao seu comportamento defensivo. Aqui estão os principais pontos:
Origem
- Resultam do cruzamento entre a abelha africana (Apis mellifera scutellata) e a abelha europeia (Apis mellifera).
- Introduzidas no Brasil em 1956 no estado de São Paulo, com o objetivo de aumentar a produção de mel em climas tropicais.
- Fugiram do controle e se espalharam rapidamente pelo país e por outros países da América Latina.
Distribuição
- Hoje, estão presentes em todas as regiões do Brasil, adaptando-se a diferentes climas e ambientes, incluindo áreas urbanas.
Comportamento
- Mais agressivas e defensivas que as abelhas europeias, reagindo rapidamente a ameaças.
- Atacam em grande número e podem perseguir por longas distâncias.
Impacto na saúde
- Causam acidentes graves, com milhares de picadas registradas todos os anos.
- Em casos de múltiplas picadas, o veneno pode provocar reações alérgicas graves, choque anafilático e até óbitos.
Importância econômica
- Apesar do risco, são polinizadoras eficientes, essenciais para a agricultura e a produção de alimentos.
- Também contribuem para a produção de mel, própolis e cera.






