Presente em encontros familiares, celebrações e até na rotina de muitas pessoas, o consumo de bebidas alcoólicas faz parte da cultura brasileira há décadas. Para a maioria dos adultos, o hábito costuma ser visto como algo social e, muitas vezes, inofensivo quando feito com moderação.
No entanto, com o avanço da idade, o corpo passa a reagir de forma diferente a substâncias que antes eram toleradas com mais facilidade. É nesse contexto que especialistas vêm fazendo alertas importantes sobre cuidados que se tornam necessários a partir dos 65 anos.
Por que o álcool passa a afetar mais o corpo após os 65 anos
Com o envelhecimento, o organismo perde parte da sua capacidade de processar o álcool. O fígado trabalha mais lentamente, há redução da quantidade de água no corpo e diminuição da massa muscular. Isso faz com que a bebida permaneça por mais tempo na corrente sanguínea e tenha efeitos mais fortes, mesmo em pequenas quantidades.
Outro ponto de atenção é o impacto direto no cérebro. As células nervosas ficam mais sensíveis com a idade, e o álcool pode acelerar a perda de funções importantes, como memória, concentração e raciocínio. Por esse motivo, entidades de saúde alertam que não existe um consumo totalmente seguro nessa fase da vida.
Além disso, o uso de álcool pode agravar problemas já existentes ou facilitar o surgimento de novas doenças, como:
- doenças cardíacas
- acidente vascular cerebral
- diferentes tipos de câncer
- danos ao fígado
- prejuízos cognitivos e quadros de demência
Condições comuns na terceira idade, como diabetes, pressão alta e osteoporose, também tendem a ser afetadas negativamente pelo consumo frequente de bebidas alcoólicas.
Quedas, emoções e cuidados que merecem atenção redobrada
Os efeitos do álcool sobre coordenação, atenção e julgamento se tornam mais intensos após os 65 anos. Isso aumenta o risco de quedas dentro de casa, acidentes de trânsito e situações perigosas no dia a dia, como esquecer portas abertas ou aparelhos ligados.
Há ainda o fator emocional. Muitos idosos recorrem à bebida para lidar com sentimentos de solidão, ansiedade ou tristeza. Embora o álcool possa trazer uma sensação momentânea de alívio, especialistas alertam que o efeito costuma ser passageiro e pode piorar quadros de ansiedade e depressão ao longo do tempo.
Dados internacionais mostram que o consumo de álcool entre pessoas acima dos 65 anos é mais comum do que se imagina, e o abuso vem crescendo, especialmente entre mulheres. Por isso, profissionais de saúde recomendam atenção aos sinais de alerta, como mudanças no humor, dificuldade para dormir ou impacto na rotina.
Reduzir o consumo, buscar alternativas mais saudáveis para lidar com questões emocionais e conversar com um médico são medidas importantes quando o álcool começa a interferir na qualidade de vida.






