Em meio as matas do norte do Mato Grosso, um grupo de pesquisadores descobriu a Annulata kaminskii, uma nova espécie de borboleta registrada nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) Cristalino, em Alta Floresta, a 790 km de Cuiabá. Sua descoberta, no entanto, vai muito mais além do surgimento de uma nova espécie.
Isso ocorre porque essa “nova” borboleta estabelece uma relação ecológica tão rara e complexa que, segundo os pesquisadores, jamais havia sido documentada entre borboletas em qualquer lugar do mundo. Um verdadeiro “acordo ecológico” que está ajudando os cientistas a repensar o que sabem sobre a natureza.
Quando lagarta, a Annulata kaminskii interage em cadeia com outros três organismos: o bambu, a cochonilha (pequenos insetos que possuem o hábito de sugar a seiva das plantas) e as formigas. A descoberta foi publicada em julho deste ano na revista científica Neotropical Entomology e contou com apoio das agências de fomento Capes, CNPq e Fapesp.
Diferentemente da maioria das borboletas, cujas lagartas se alimentam de folhas, as lagartas da Annulata kaminskii possuem uma dieta líquida, consumindo o néctar e a cera produzidos por cochonilhas que vivem nos bambus. Em contrapartida, elas liberam uma secreção adocicada que serve de alimento para duas espécies distintas de formigas.
Outra descoberta surpreendente é que duas espécies diferentes de formigas convivem e cuidam da mesma lagarta — algo jamais observado em borboletas. Uma dessas formigas apresenta comportamento altamente agressivo, proporcionando uma proteção eficaz às pequenas lagartas.
Detalhes sobre a Annulata kaminskii
Annulata kaminskii é uma espécie de borboleta recém-descoberta, pertencente ao gênero Annulata (família Riodinidae), descrita em 2025 a partir da Amazônia brasileira.
Habitat e Ecologia:
Essa espécie foi encontrada na Amazônia meridional, especialmente no norte do estado do Mato Grosso, e habita bosques de bambu. Sua ecologia é bastante singular: os lagartas se alimentam das secreções produzidas por insetos cochonilhas, que vivem nos bambus, estabelecendo uma cadeia alimentar que envolve o bambu, os cochonilhas e elas próprias.






