Uma equipe de astrônomos anunciou, na última semana, a descoberta do que parece ser o buraco negro mais massivo já detectado na história. Calcula-se que sua massa seja 36 bilhões de vezes maior que a do Sol e quase 10 mil vezes superior à do buraco negro localizado no centro da Via Láctea.
O objeto celeste foi descoberto na Ferradura Cósmica, uma das galáxias mais massivas já registradas. Seu tamanho é tão imenso que distorce o espaço-tempo, deformando a luz que vem de uma galáxia de fundo em um grande anel de Einstein com formato de ferradura.
Curiosamente, a iniciativa teve um brasileiro como líder: Carlos Melo, doutorando na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os resultados obtidos por ele e seus colegas renderam a produção de um artigo científico, aceito para publicação no prestigiado Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
“Esta descoberta foi feita para um buraco negro ‘dormente’, ou seja, que não está acumulando matéria de forma ativa no momento da observação. Mesmo assim, conseguimos detectá-lo com base apenas em sua força gravitacional e nos efeitos que ela causa ao redor”, disse Melo.
O que é um buraco negro?
Um buraco negro é uma região do espaço onde a força da gravidade é tão intensa que nada, nem mesmo a luz, consegue escapar dela. Isso acontece quando uma grande quantidade de massa está concentrada em um espaço muito pequeno, causando um colapso gravitacional.
Os buracos negros se formam geralmente após a morte de estrelas muito massivas, que, ao esgotarem seu combustível, colapsam sob sua própria gravidade. No centro do buraco negro está o que se chama de “singularidade”, onde a densidade é infinita, e ao seu redor fica o “horizonte de eventos”, que é a fronteira além da qual nada pode retornar.
Tipos de buracos negros
Buracos negros estelares – Formam-se a partir do colapso de estrelas muito massivas, com cerca de 3 a 20 vezes a massa do Sol. São os mais comuns e têm massa relativamente pequena, mas ainda assim milhares de vezes maior que a da Terra.
Buracos negros supermassivos – Encontrados no centro da maioria das galáxias, incluindo a Via Láctea. Têm massas que vão de milhões a bilhões de vezes a massa do Sol. Acredita-se que sejam responsáveis pela dinâmica das galáxias.
Buracos negros de massa intermediária – São buracos negros com massa entre as estelares e supermassivos, mas ainda pouco observados e estudados.
Buracos negros primordiais (hipotéticos) – Supostamente formados logo após o Big Bang, com massas variadas, mas ainda não comprovados pela ciência.






