A Argentina sempre foi reconhecida mundialmente pela qualidade da sua carne bovina. Criado nas extensas planícies dos pampas, o gado argentino se tornou símbolo de cortes macios e saborosos, resultado de fatores como genética, alimentação e do próprio relevo plano da região, que reduz o esforço físico dos animais.
No entanto, a alta no preço da carne bovina começou a mudar os hábitos de consumo no país. Apenas em março, o produto registrou aumento de 6,9%, acima da inflação mensal argentina. Diante desse cenário, um tipo de carne pouco tradicional passou a chamar atenção nos noticiários locais: a carne de burro.
A novidade ganhou destaque na cidade de Trelew, onde um projeto piloto chamado “Burros Patagônicos” começou a oferecer degustação e venda do produto. A iniciativa foi criada pelo produtor rural Julio Cittadini, que desenvolveu a proposta durante cerca de dois anos enquanto aguardava autorização das autoridades sanitárias argentinas.
Após a aprovação oficial, a carne passou a ser comercializada em um açougue e servida em um restaurante tradicional da cidade, atraindo curiosos e consumidores interessados em alternativas mais acessíveis. O caso rapidamente repercutiu em todo o país e abriu debates sobre mudanças no consumo de carne em meio à crise econômica argentina.
Inflação elevada pressiona consumo e impulsiona alternativas
A busca por opções mais baratas acontece em um momento de forte pressão econômica na Argentina. Segundo dados do INDEC, a inflação acumulada no ano já chegou a 9,4%, enquanto carnes e derivados aparecem entre os itens que mais aumentaram de preço na categoria de alimentos.
Em regiões como a Grande Buenos Aires, a carne bovina registrou alta anual de 55%, chegando a mais de 61% no Noroeste argentino. O avanço dos preços vem afetando diretamente o consumo da população e incentivando o surgimento de alternativas consideradas mais econômicas para substituir a tradicional carne bovina no dia a dia.






