Na contramão do governo dos Estados Unidos, que anunciou uma tarifa de 50% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, a China anunciou a autorização para 183 empresas brasileiras exportarem café ao país. A medida entrou em vigor no dia 30 de julho e tem validade de cinco anos.
Atualmente, os Estados Unidos permanecem como o principal destino para o café do Brasil, com a compra de cerca de 8 milhões de sacas, o equivalente a quase um quarto das exportações totais. A China, no entanto, aparece em uma posição bem mais modesta: foi apenas o décimo maior comprador, adquirindo 529.709 sacas.
Tal número é 6,2 vezes inferior ao embarcado rumo aos EUA, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A tendência é que o cenário mude com a nova conjuntura. O apetite chinês por café vem crescendo à medida que marcas globais como Starbucks ampliam presença e redes locais como Luckin Coffee popularizam o consumo urbano.
Entre 2020 e 2024, a China registrou um aumento de 13 mil toneladas nas importações líquidas de café. Apesar desse avanço, o mercado ainda está longe de atingir seu potencial: o consumo per capita no país é de apenas 16 xícaras por ano, muito abaixo da média global, estimada em 240.
China é maior parceira comercial do Brasil há 15 anos
Em 2009, a China ultrapassou os Estados Unidos e tornou-se o que mais compra produtos brasileiros no mundo, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Desde então, a China multiplicou por cinco o valor de suas compras no país.
No último ano, os asiáticos importaram mais de 94 bilhões de dólares (cerca de R$ 535 bilhões, considerando a cotação atual do dólar) em mercadorias brasileiras. Isso é mais do que o dobro dos 40 bilhões de dólares (R$ 228 bilhões) que o Brasil vendeu aos EUA, o segundo maior destino de exportações nacionais.






