Pouca gente sabe, mas o estado do Rio de Janeiro já teve uma cidade inteira apagada do mapa. São João Marcos, localizada na região de Rio Claro, foi um dos centros mais ricos do período imperial brasileiro. No auge, por volta de 1850, abrigava cerca de 18 mil habitantes e prosperava graças ao comércio e à produção de café, atraindo viajantes e comerciantes de várias partes do país.
No entanto, a cidade que já simbolizou riqueza e desenvolvimento teve um fim trágico. Hoje, suas antigas ruas e casarões repousam sob as águas da represa de Ribeirão das Lajes.
A cidade que foi sacrificada pelo progresso
A destruição de São João Marcos começou nas décadas de 1930 e 1940, quando o governo autorizou a construção da represa para garantir o abastecimento de água e a geração de energia elétrica para o Rio de Janeiro. A obra foi considerada essencial para o crescimento da capital fluminense, mas custou caro em termos históricos e humanos.
Em 1939, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) chegou a tombar a cidade, reconhecendo seu valor histórico e arquitetônico. No entanto, o tombamento durou pouco. No ano seguinte, o presidente Getúlio Vargas revogou a decisão, permitindo que as águas avançassem sobre o município. Pouco tempo depois, São João Marcos desapareceu completamente.
O que restou de São João Marcos
Décadas depois, o passado da cidade voltou à tona. Em 2011, foi inaugurado o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, que preserva ruínas, objetos e documentos da antiga vila. O espaço funciona como um centro de memória e recebe visitantes interessados em conhecer essa história apagada pela modernização.
Uma confusão comum
Muita gente confunde São João Marcos com São Marcos, cidade gaúcha que nada tem a ver com o episódio. A verdadeira cidade submersa era fluminense e, embora tenha sumido sob as águas, segue viva na memória e nas ruínas que resistem ao tempo.






