Os Estados Unidos, considerado a maior economia do mundo com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em cerca de R$ 162 trilhões por ano, também enfrenta uma crise social profunda: o país abrigava, em 2024, aproximadamente 770 mil pessoas em situação de rua, segundo dados oficiais mais recentes — o maior número desde o início das medições.
A crise de moradores de rua nos EUA é resultado de fatores complexos, incluindo a escassez de moradias acessíveis, o aumento exponencial do preço dos aluguéis em grandes cidades e as desigualdades salariais que se intensificaram após o fim de programas federais emergenciais implementados durante a pandemia de Covid-19.
O impacto dessa crise atinge especialmente famílias com crianças, que representaram cerca de 40 % do aumento observado no número total de pessoas sem-teto. Quase 150 mil menores de idade foram contabilizados sem acesso a uma moradia estável, o que agrava desafios já existentes em termos de educação, saúde e segurança para essas crianças e adolescentes.
Ao mesmo tempo em que mantém um dos maiores PIBs e concentra grande parte da riqueza global, os Estados Unidos enfrentam uma disparidade que evidencia como o crescimento econômico nem sempre se traduz em inclusão social. A insuficiência de moradias acessíveis e a desigualdade de renda têm pressionado milhares de famílias a conviver com a falta de teto.
Alta nos aluguéis e fim de auxílios agravaram cenário
Nos Estados Unidos, autoridades federais e governos estaduais têm reconhecido que o aumento expressivo no número de pessoas em situação de rua está diretamente ligado à disparada dos preços dos aluguéis nos últimos anos. Em grandes centros urbanos, o custo da moradia cresceu em ritmo superior ao da renda média da população.
Além disso, o encerramento de programas emergenciais criados durante a pandemia, como auxílios financeiros e moratórias de despejo, contribuiu para ampliar a vulnerabilidade social. Especialistas defendem a ampliação de políticas públicas voltadas à construção de habitação popular e ao fortalecimento de redes de assistência social como medidas essenciais para enfrentar a crise.






