A corrida por energia limpa com as chamadas ‘terras raras’ tem afetado o tradicional quilombo Kalunga do Mimoso, localizado no sul do Tocantins. Segundo informações do portal Uol, três processos de mineração da empresa Brasmet Exploration Participações Ltda estão integralmente dentro da comunidade.
A ANM (Agência Nacional de Mineração) autorizou o início das pesquisas no local, mas os quilombolas não foram consultados e desconheciam a demanda por terras raras em seu território. Eudemir de Melo da Silva, vice presidente da Associação Kalunga do Mimoso, se disse “surpreso” e que a comunidade “não tinha conhecimento da pesquisa”.
Os polígonos solicitados pela empresa abrangem 5.049 hectares, o equivalente a cerca de 7 mil campos de futebol ou quase 9% de toda a área do território quilombola. Cerca de 270 famílias vivem no Kalunga do Mimoso, localizado entre os municípios de Arraias e Paranã, em uma região de transição entre o Cerrado e a Amazônia.
De acordo com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), já foram concedidas 1.882 autorizações para pesquisa desses minerais em território nacional. Em sua maioria, as solicitações foram feitas em 2023 e 2024 por empresas brasileiras e estrangeiras. Na Amazônia Legal, os pedidos para mineração de terras raras somam 157 solicitações (5% do total).
O que são as chamadas ‘terras raras’?
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos que fazem parte da tabela periódica. Apesar do nome, não são exatamente raras, mas encontrá-las em concentração suficiente para exploração econômica é um verdadeiro desafio.
Alguns dos elementos, casos do neodímio e praseodímio, são essenciais para a produção de ímãs super magnéticos que são usados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, entre outros equipamentos de alta tecnologia.






