Cuba voltou a enfrentar dificuldades sérias no fornecimento de petróleo. A crise coloca em evidência uma fragilidade estrutural: a ilha nunca desenvolveu um programa sólido de etanol para substituir parcialmente os combustíveis fósseis. Esse vazio torna o país mais suscetível a interrupções externas.
Enquanto Cuba dependia da União Soviética, o Brasil adotava estratégia própria. Nos anos 1970, o Proálcool surgiu para reduzir a vulnerabilidade energética diante do aumento do preço do petróleo e para absorver o excedente de cana. A política brasileira combinava energia e agricultura, criando uma rede integrada de produção e consumo de etanol.
Cuba, com mercado de açúcar garantido e suprimento energético estável, não via prioridade no biocombustível. A produção interna de etanol era pouco explorada, e investimentos se concentravam em outras áreas da economia.
Impactos da ruptura soviética
O fim da União Soviética nos anos 1990 mudou o cenário cubano. A falta de insumos e recursos financeiros forçou o fechamento de usinas e a reestruturação do setor açucareiro.
Decisões que pareciam lógicas no momento reduziram a capacidade industrial necessária para apoiar um programa de etanol consistente. Mesmo com intercâmbio técnico com especialistas brasileiros, a ilha carecia de financiamento, mercado interno e regras estáveis para transformar tecnologia em política energética prática.
No Brasil, o etanol tornou-se estratégico: influencia preços, balança comercial e escolhas do consumidor. Já em Cuba, a ausência de biocombustíveis deixou o país mais exposto à importação de petróleo, tornando-o vulnerável a crises externas.
Um programa de etanol não eliminaria a dependência, mas poderia ter funcionado como um amortecedor em períodos críticos.
Lições de planejamento
O contraste entre os dois países mostra como decisões tomadas em contextos diferentes geram resultados distintos.
A estratégia brasileira, construída sob pressão econômica e energética, fortaleceu a resiliência nacional. Cuba, por outro lado, priorizou estabilidade imediata, pagando o preço décadas depois com maior fragilidade diante de choques internacionais.
Hoje, a falta de alternativas energéticas coloca Cuba em alerta. O debate sobre biocombustíveis, antes acadêmico, ganha urgência.
Criar mecanismos internos para reduzir a dependência externa poderia ajudar a mitigar riscos, mas requer investimento, regulação e visão de longo prazo — elementos que ficaram ausentes nas escolhas passadas.






