A mudança no comando do Cruzeiro chamou atenção não apenas pelo impacto esportivo, mas também pelo peso financeiro envolvido. Quando um clube tradicional passa a ter um novo controlador, o mercado naturalmente olha para quem está por trás da operação e tenta entender a força econômica que sustenta o projeto.
Nesse cenário, o nome do novo dono da SAF ganhou destaque. A trajetória empresarial, os números do patrimônio e a relação antiga com o clube ajudam a explicar por que a negociação foi possível e quais são as bases financeiras que sustentam essa nova fase.
Empresário por trás da SAF construiu fortuna bilionária fora do futebol
Pedro Lourenço, conhecido como Pedrinho, é um dos empresários mais influentes de Minas Gerais e construiu sua riqueza muito antes de assumir qualquer papel formal no futebol. Fundador e proprietário da rede Supermercados BH, ele comanda a quinta maior empresa do setor no país, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados.
Em 2023, o grupo registrou faturamento de R$ 17,3 bilhões, resultado que ajuda a dimensionar o tamanho do império empresarial construído ao longo dos anos. A última estimativa pública sobre sua fortuna, divulgada em 2020, apontava um patrimônio de R$ 7,5 bilhões. Embora não haja números mais recentes, a avaliação de mercado é de que esse valor tenha crescido com a expansão dos negócios.
Além disso, Pedro Lourenço figura entre os principais credores do Cruzeiro no processo de recuperação judicial, com mais de R$ 28 milhões a receber. Essa posição reforça o vínculo financeiro que ele já mantinha com o clube antes mesmo de se tornar o acionista majoritário da SAF.
Compra da SAF consolida relação antiga com o Cruzeiro
A aquisição da SAF do Cruzeiro marca apenas mais um capítulo de uma ligação que vem de longa data. Pedro Lourenço acertou a compra de 90% das ações da SAF, enquanto a associação do clube manteve os outros 10%. Os valores da negociação não foram divulgados oficialmente, mas envolvem estimativas de investimento que podem chegar a R$ 600 milhões.
Antes da saída de Ronaldo Fenômeno do controle da SAF, Pedrinho já atuava nos bastidores como parceiro do projeto. Durante períodos críticos, especialmente após o rebaixamento do clube, ele ajudou no pagamento de salários de jogadores e funcionários, além de oferecer apoio financeiro em momentos delicados.
Durante a gestão anterior, o empresário também participou de aportes relevantes, como a aplicação de R$ 100 milhões por meio de debêntures conversíveis, mecanismo que reforçou o caixa da empresa e mostrou confiança no modelo de clube-empresa.
Agora, como acionista majoritário, Pedro Lourenço passa a concentrar poder de decisão e recursos suficientes para estruturar um projeto de longo prazo, sustentado por um patrimônio que o coloca entre os empresários mais ricos ligados ao futebol brasileiro.






