Uma movimentação milionária acendeu o alerta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. Em apenas seis meses, R$ 33,1 milhões saíram de uma empresa ligada a um dirigente de entidade investigada e tiveram como destino um posto de combustíveis no Piauí.
Os dados constam em requerimento apresentado pelo relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL). No documento, ele solicita a quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresa Pima Energia Cegonha LTDA. O pedido foi protocolado na última sexta-feira (20), mas ainda aguarda análise.
Rota do dinheiro
Os valores foram transferidos pela Solução Serv e Tecnologia LTDA para a Pima Energia entre novembro de 2024 e abril de 2025. A Solução Serv é uma das empresas associadas a Natjo de Lima Pinheiro, que ocupou os cargos de presidente e tesoureiro da Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas.
A entidade é apontada como uma das estruturas usadas para realizar descontos indevidos em benefícios de aposentados. O esquema ficou conhecido como Farra do INSS e foi revelado pelo portal Metrópoles.
Já a Pima Energia está por trás do posto HD 07, também chamado de Posto Diamante 07. O estabelecimento funciona no bairro Santo Antônio, em Teresina. Ele integra a rede de postos HD, que foi alvo da operação Carbono Oculto 86, conduzida pelas polícias Civil e Militar do Piauí.
Investigação sobre combustíveis
A ofensiva no estado foi um desdobramento da operação Carbono Oculto, da Polícia Federal. A apuração mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído à facção Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis.
O posto ligado à Pima Energia foi um dos alvos da ação policial realizada em novembro do ano passado. Desde então, permanece fechado.
Volume chama atenção
O montante de R$ 33,1 milhões transferido em meio ano impressiona. Considerando o preço médio da gasolina em Teresina, o valor permitiria a compra de cerca de 5,19 milhões de litros do combustível.
A quantidade seria suficiente para abastecer algo entre 7 mil e 8 mil carros de passeio durante todo o período das transferências.
A versão apresentada pelo empresário é de que o dinheiro teria sido gasto com gasolina. A CPMI agora busca esclarecer a origem e o destino detalhado dos recursos, em meio às investigações que envolvem fraudes previdenciárias e suspeitas de lavagem de dinheiro.






