Na última terça-feira (27), foi oficializada a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, pacto que visa reduzir emissões de gases de efeito estufa e combater o aquecimento global. É a segunda vez que o presidente americano Donald Trump tira o país do tratado; em seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, Trump também retirou os Estados Unidos do acordo, em um processo iniciado em 2017 e concluído oficialmente em 2020.
Com a saída, os Estados Unidos se somam ao Irã, Líbia e Iêmen como os únicos países que não fazem parte do tratado climático. A decisão de deixar o Acordo de Paris foi anunciada por Trump logo ao retornar à Casa Branca, quando fez uma série de ataques à política climática do governo do seu antecessor, o democrata Joe Biden. O governo Trump também anunciou que vão deixar a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, sob a qual o Acordo de Paris foi adotado.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Basav Sen, diretor do projeto de justiça climática do think tank progressista Institute for Policy Studies, disse que “é quase como se eles estivessem dizendo: não nos importamos com o que vocês querem de nós, seremos os vilões e vocês não podem nos contestar, porque é exatamente isso que dissemos que vocês deveriam esperar de nós”.
Consequências e isolamento internacional
A atitude do governo americano pode não só tornar as metas do acordo mais difíceis de alcançar, como excluir o país mais rico do mundo dos esforços para ajudar as nações mais pobres e mais afetadas pela mudança climática.
Na semana passada, os Estados Unidos também saíram oficialmente da Organização Mundial da Saúde. De acordo com a agência de notícias Reuters, isso não só afetará o sistema de saúde a nível global, mas também desencadeia uma crise orçamentária ao órgão. O país contribui com quase um quinto do financiamento total da OMS, e com a retirada, sua equipe de gestão foi cortada pela metade, atividades foram reduzidas e houve cortes por toda a agência.
Continuidade dos esforços climáticos
Apesar da postura negacionista do governo americano, outros países mantém o esforço para conter emissões e investir em energia de baixo carbono. Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) em Belém, no Pará, a Colômbia e a Holanda anunciaram planos para sediar as primeiras negociações voltadas para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, junto às nações insulares do Pacífico.





