A queda no valor pago ao produtor de arroz levou o Governo Federal a anunciar uma nova medida de apoio ao setor. A Companhia Nacional de Abastecimento confirmou a liberação de R$ 73,6 milhões para reforçar a comercialização da safra 2025/26. O objetivo é ajudar no escoamento da produção e evitar perdas maiores de renda no campo.
O anúncio foi feito pelo presidente da Conab, Edegar Pretto, durante a 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizada em Capão do Leão, no Rio Grande do Sul. A decisão ocorreu após reuniões com representantes da Federarroz e da Abiarroz, entidades que vinham cobrando medidas diante da desvalorização da saca.
Preço abaixo do mínimo acende alerta
No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, o cenário preocupa. O preço médio pago ao agricultor está em R$ 53,27 por saca de 50 quilos. O valor mínimo oficial é de R$ 63,74. Quando o mercado opera abaixo desse piso, entram em cena os mecanismos da Política de Garantia de Preços Mínimos.
É nesse contexto que serão utilizados dois instrumentos: o Pepro e o PEP. Ambos funcionam como estímulo financeiro para assegurar que o produtor receba, na prática, o valor mínimo estabelecido.
Como funcionam os incentivos?
No caso do Pepro, o agricultor vende sua produção pelo preço de mercado. Depois, recebe um prêmio que complementa a diferença até atingir o mínimo oficial. Já no PEP, a empresa compradora paga diretamente o valor mínimo ao produtor e recebe um incentivo para retirar o produto da região de origem.
A estratégia busca facilitar a saída do arroz das áreas produtoras para centros consumidores. A estimativa é movimentar cerca de 300 mil toneladas em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.
Foco maior no Sul
Do total de recursos liberados, R$ 61,3 milhões serão destinados ao Rio Grande do Sul. A previsão é retirar aproximadamente 250 mil toneladas apenas do estado, que concentra a maior fatia da produção brasileira.
As operações ainda dependem de portaria interministerial envolvendo os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Fazenda. A expectativa é que o ato seja publicado nos próximos dias. Depois disso, a Conab deve anunciar as regras e o calendário dos leilões.
Produção em queda
Para a safra 2025/26, a estimativa é de 10,91 milhões de toneladas no país. O volume representa recuo de 14,4% em relação ao ciclo anterior. No Rio Grande do Sul, a previsão é de 7,54 milhões de toneladas, redução de 13,6%, em uma área plantada de 905,2 mil hectares.
Com o novo aporte, os investimentos federais no setor já somam R$ 716,8 milhões, alcançando 1,13 milhão de toneladas apoiadas.






