A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil mensais segue em discussão no Congresso e já provoca embates entre lideranças. No Senado, a proposta relatada por Renan Calheiros (MDB-AL) teve a tramitação interrompida após pedido de vista do senador Izalci Lucas (PL-DF). A medida, considerada uma das mais aguardadas de 2025, pode beneficiar milhões de brasileiros, mas também expõe o conflito político entre Renan e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que conduz projeto semelhante na outra Casa.
O que está em análise no Senado
A iniciativa resgata um texto apresentado em 2019 pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) e reformulado agora por Renan Calheiros. O parecer prevê isenção total para salários de até R$ 5 mil, descontos graduais até R$ 7 mil e cobrança extra para altas rendas: até 10% em ganhos anuais de R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão e 10% fixos acima desse valor. Para o relator, a atualização da tabela é urgente, mas precisa vir acompanhada de mecanismos que evitem queda brusca na arrecadação federal.
Câmara e Senado em rota de colisão
Enquanto o Senado discute o texto de Renan, a Câmara também avança com sua versão, relatada por Arthur Lira. A proposta foi aprovada em comissão especial em julho, mas ainda não chegou ao plenário. Lira reconhece que será necessário “amplo debate” sobre a compensação fiscal da medida. Renan, por sua vez, criticou o governo por, segundo ele, participar de uma “chantagem” política em torno da isenção.
Impactos esperados para o contribuinte
Tanto a versão do Senado quanto a da Câmara ampliam a faixa de isenção dos atuais R$ 3.036 para R$ 5 mil, além de preverem tributação progressiva sobre os mais ricos. Estimativas apontam que mais de 12 milhões de contribuintes seriam beneficiados, com potencial de aquecer o consumo interno. Por outro lado, a equipe econômica calcula renúncia de cerca de R$ 30 bilhões por ano, exigindo medidas de compensação.
Protagonismo em disputa
A discussão sobre o IR não é apenas técnica: também virou palco de embate entre dois políticos alagoanos. Renan busca se firmar como líder no Senado em um tema popular, enquanto Lira tenta capitalizar politicamente na Câmara. Com o apoio majoritário da população à mudança, o desfecho dessa disputa pode influenciar diretamente a agenda econômica de 2026.






