A rotina do transporte coletivo em Sapucaia do Sul ganhou um novo capítulo de instabilidade. Funcionários da Expresso Charqueadas receberam aviso prévio informando que a operação das linhas municipais será mantida apenas até o dia 5 de março.
A comunicação atingiu cerca de cem trabalhadores, entre motoristas, mecânicos e equipes administrativas. A empresa é responsável pelas 21 linhas urbanas do município. A medida, no entanto, vale somente para os empregados que atuam na cidade, já que a companhia mantém atividades em outras localidades.
Surpresa entre os trabalhadores
O anúncio causou apreensão. Isso porque, segundo a prefeitura, o contrato emergencial em vigor tem validade até setembro de 2026. Mesmo assim, os empregados foram informados de que a prestação do serviço não deve continuar após o prazo indicado no aviso.
Sem respostas claras, parte da categoria cobra posicionamento do poder público. Um motorista ouvido pela reportagem afirmou que os trabalhadores não sabem como ficará a situação. Ele pede esclarecimentos e garantias por parte da administração municipal.
Disputa judicial trava concessão
O cenário é agravado por uma disputa que se arrasta na Justiça. Em outubro do ano passado, a prefeitura firmou contrato com a Transbus Transportes, vencedora da licitação para assumir o sistema de transporte coletivo urbano. A concorrência, porém, foi contestada pela Expresso Presidente Getulio, empresa que ficou em segundo lugar.
No dia 4 de novembro, o desembargador Marcelo Bandeira Pereira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, concedeu decisão liminar suspendendo a habilitação da Transbus. A alegação apresentada foi o suposto descumprimento de exigências econômico-financeiras previstas no edital, especialmente em relação aos índices do exercício de 2023.
O impasse chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Em 31 de dezembro, o ministro Herman Benjamin negou pedido da prefeitura que buscava reverter a suspensão determinada pelo tribunal estadual. O processo segue em tramitação.
Enquanto a indefinição persiste, usuários enfrentam dificuldades diárias. Há relatos de atrasos constantes, veículos que deixam de cumprir horários e frota em condições precárias. Trabalhadores afirmam que a empresa reduziu investimentos, diante da sinalização de que não pretende permanecer na cidade.
Posicionamento da prefeitura
Em nota oficial, a prefeitura informa que acompanha a execução do contrato emergencial e reconhece que o serviço atual apresenta falhas frente à legislação municipal e aos padrões de qualidade exigidos.
O município afirma ainda que avalia alternativas para garantir a continuidade do transporte, inclusive com a contratação emergencial de outra empresa, caso necessário. Segundo a administração, a concessão definitiva só poderá ser formalizada após o desfecho da disputa judicial que mantém a licitação suspensa.
Até lá, o futuro do transporte coletivo em Sapucaia do Sul segue indefinido, com impactos diretos para trabalhadores e passageiros.
Caro leitor,O acesso ao conteúdo será liberado imediatamente após o anúncio.






