A discussão sobre mudança de horário voltou ao centro do debate internacional em 2026, mas o Brasil segue fora dessa equação. Enquanto estados como a Califórnia ajustam relógios e rotinas, a decisão brasileira continua sendo a manutenção da suspensão do horário de verão, em vigor desde 2019.
O tema envolve fatores técnicos, climáticos e políticos, que ajudam a explicar por que o país não pretende retomar a medida no curto prazo.
Em algumas regiões dos Estados Unidos, a alteração do relógio segue impactando diretamente o cotidiano. A mudança de hora interfere em deslocamentos, jornadas de trabalho, funcionamento de escolas e até no setor de turismo. Na Califórnia, o ajuste volta a valer em 2026, exigindo adaptação de moradores, empresas e serviços públicos.
Esse movimento internacional acaba alimentando questionamentos no Brasil, especialmente em anos de verão mais intenso. Ainda assim, o contexto energético brasileiro é considerado distinto, o que sustenta a decisão de não retomar o adiantamento dos relógios.
Decisão oficial no Brasil
Para 2026, o governo federal confirmou que o horário de verão continuará suspenso. A posição é respaldada pelo Ministério de Minas e Energia e por estudos técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo as análises, o atual modelo do sistema elétrico garante segurança energética mesmo nos períodos de maior consumo.
Desde o fim do horário de verão, o país passou por mudanças estruturais importantes. A matriz elétrica ficou mais diversificada, com crescimento expressivo das fontes solar e eólica, reduzindo a dependência exclusiva das hidrelétricas.
Reservatórios e matriz energética
Outro fator decisivo é a situação dos reservatórios. Os principais sistemas hidrelétricos operam com níveis considerados estáveis, o que diminui o risco de escassez durante os meses mais quentes. Esse cenário enfraquece o argumento histórico de que o horário de verão seria necessário para aliviar a demanda no início da noite.
Além disso, a geração distribuída, especialmente a solar, tem ajudado a equilibrar o consumo ao longo do dia, tornando o impacto da mudança de horário cada vez menos relevante do ponto de vista técnico.
Clima e consumo de energia
As projeções meteorológicas indicam que o verão de 2025 para 2026 deve registrar temperaturas acima da média e chuvas irregulares. O cenário exige atenção para eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e aumento do uso de equipamentos de refrigeração.
Mesmo com a expectativa de picos no consumo de energia, o Ministério de Minas e Energia avalia que o sistema elétrico tem capacidade para absorver essa demanda sem necessidade de ajustes no relógio. A avaliação técnica pesa mais do que a percepção popular de economia de energia.
Debate segue no Congresso
Apesar da posição do governo, o tema ainda é discutido no Congresso Nacional. Parlamentares avaliam projetos que tratam do retorno ou do fim definitivo do horário de verão. Até o momento, porém, não há sinalização concreta de mudança para 2026.
Assim, enquanto outros países ajustam seus relógios, o Brasil mantém a hora como está, apostando em um sistema elétrico mais resiliente e em uma relação diferente entre clima, energia e rotina diária.






