O setor de internet via satélite no Brasil deve ganhar um novo player em 2026. A SpaceSail, criada pela Shanghai Spacecom Satellite Technology (SSST) em conjunto com a Academia Chinesa de Ciências, se prepara para entrar em operação no país e competir diretamente com a Starlink, empresa de Elon Musk que já oferece serviços desde 2024.
A entrada da companhia foi garantida após um acordo de cooperação com a Telebras, assinado durante a visita do presidente Xi Jinping ao Brasil, em novembro de 2024. O objetivo é ampliar as alternativas de conectividade e evitar a formação de monopólio em um serviço considerado essencial para regiões afastadas do país.
O que diferencia a SpaceSail
Lançada em 2023, a SpaceSail é baseada em uma rede de satélites de órbita baixa, posicionados entre 500 km e 1.500 km de altitude. Esse modelo diminui a latência e oferece conexões mais rápidas e estáveis em comparação com os satélites tradicionais, que ficam a mais de 35 mil km da Terra.
Em apenas um ano de atividade, já foram lançados 54 satélites. A meta é alcançar 648 unidades até o fim de 2025, dobrar o número até 2027 e chegar a 15 mil em 2030. Para comparação, a Starlink opera com cerca de 6 mil satélites ativos e tem aval para atingir também a marca de 15 mil.
Concorrência com a Starlink
Os valores que serão praticados pela SpaceSail ainda não foram divulgados, mas a expectativa é que a empresa ofereça planos mais acessíveis que a concorrente norte-americana. Hoje, a Starlink cobra no Brasil R$ 184 por mês, além de um kit de instalação que varia entre R$ 1.200 e R$ 2.400, entregando em média 150 Mbps.
Já serviços convencionais, como o Claro Internet Rural, disponibilizam apenas 2 Mbps por cerca de R$ 70, com kits que podem custar R$ 2 mil. Nesse cenário, a SpaceSail aposta em unir velocidade elevada com preços intermediários, mirando especialmente consumidores que vivem em áreas isoladas.
Brasil como primeiro destino internacional
Segundo o Ministério das Comunicações, o Brasil é visto como mercado estratégico para a expansão da SpaceSail fora da Ásia. Existe, inclusive, a possibilidade de que a empresa utilize a Base de Alcântara (MA) para lançar satélites, o que reduziria custos logísticos.
O cronograma prevê que o serviço seja inaugurado na China em 2025 e chegue ao Brasil em 2026, tornando o país o primeiro a receber a tecnologia fora do território chinês.






