Um esquema de fraudes envolvendo o registro de carros elétricos e híbridos no Distrito Federal está na mira das autoridades de Goiás. A prática foi descoberta após a identificação de automóveis em circulação no estado, mas que constavam como emplacados no DF para obter isenção do IPVA.
Proprietários terão de pagar valores retroativos
Segundo as apurações, os donos dos veículos deverão arcar com o imposto devido, acrescido de multa de 100%, além de realizar a transferência da documentação para Goiás. O atrativo para a fraude está na política do Distrito Federal, único ente da federação a conceder isenção total de IPVA para esse tipo de automóvel.
A facilidade levou diversos motoristas a registrarem endereços fictícios, mesmo residindo em outros estados.
Operação Quíron mira 500 veículos
A Operação Quíron, conduzida pela Secretaria da Economia e pela Polícia Civil de Goiás, já identificou cerca de 500 veículos híbridos e elétricos cadastrados irregularmente. As investigações começaram após um crescimento atípico de transferências para o DF, levantando a suspeita de uso de documentos falsos para escapar do imposto.
De acordo com os cálculos iniciais, o esquema gerou um rombo estimado de R$ 10 milhões aos cofres públicos.
Incentivos fiscais em debate
Enquanto o Distrito Federal concede isenção integral, outros estados oferecem benefícios mais restritos. Em Pernambuco e Alagoas, há políticas de redução ou isenção parcial, enquanto Minas Gerais limita a vantagem a veículos produzidos no próprio estado.
Essa diferença de regras tem estimulado motoristas de outras regiões a buscar o registro no DF como forma de economizar, ainda que de maneira ilegal.
Prejuízo pode ultrapassar R$ 100 milhões
A expectativa da operação é recuperar ao menos R$ 4 milhões em tributos e multas. Até agora, já foram cobrados R$ 1,7 milhão, com R$ 1,3 milhão quitados. No entanto, as autoridades alertam que, caso as fraudes persistam, a perda de arrecadação pode superar R$ 100 milhões até 2027, considerando a expansão da frota elétrica no país.
Quem não regularizar a situação pode responder criminalmente por falsidade ideológica e sonegação fiscal.






