A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a chegada ao mercado brasileiro do lemborexante, que será comercializado sob o nome Dayvigo, pela farmacêutica japonesa Eisai. O remédio vem sendo apontado em pesquisas internacionais como uma das maiores inovações no tratamento da insônia, com destaque para sua eficácia e menor risco de dependência em comparação a terapias já conhecidas.
Resultados de estudos internacionais
Uma revisão feita por pesquisadores da Universidade de Oxford, que analisou 36 diferentes medicamentos para o sono, indicou o lemborexante como o mais promissor em critérios de eficácia, segurança e tolerância. De acordo com os levantamentos, o uso favorece tanto a indução quanto a manutenção do sono, com efeitos percebidos logo nas primeiras doses e sustentados em tratamentos de até seis meses.
Como atua no organismo
O Dayvigo é o primeiro representante no Brasil da classe chamada antagonistas duplos dos receptores de orexina (DORA). Diferente de medicamentos como benzodiazepínicos e drogas Z, que reduzem a atividade do sistema nervoso central, o novo fármaco atua bloqueando os receptores de orexina — substância responsável por manter o estado de vigília.
Esse mecanismo possibilita uma transição mais natural para o sono e reduz o risco de dependência ou sintomas de abstinência, problemas comuns nos tratamentos convencionais.
Efeitos e recomendações de uso
Embora os estudos apontem boa margem de segurança, alguns efeitos adversos foram relatados, como sonolência excessiva, cansaço e, em casos menos frequentes, episódios de paralisia do sono. Por isso, especialistas reforçam que o medicamento deve ser utilizado apenas em situações em que o paciente possa garantir ao menos sete horas de repouso contínuo.
Contexto da insônia no Brasil
A insônia crônica atinge cerca de 15% da população brasileira, segundo dados do Instituto do Sono. O problema tem impacto direto no consumo de fármacos: em 2024, a venda de zolpidem no país chegou a quase 16 milhões de caixas, triplicando em relação à década anterior.
Para especialistas, a aprovação do Dayvigo representa um avanço importante na busca por tratamentos mais eficazes e seguros. Ainda assim, eles reforçam que o uso deve ser acompanhado por orientação médica e combinado a práticas de higiene do sono, como rotina de horários e redução do consumo de estimulantes.






