A Venezuela detém uma das maiores reservas petrolíferas do mundo, concentrando cerca de 17% das áreas conhecidas de petróleo do mundo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris. Ainda assim, o país sul-americano produz menos petróleo do que o Brasil, que possui reservas significativamente menores.
Dados do Statistical Review of World Energy, do Instituto de Energia (EI), mostram que a produção venezuelana sofreu uma queda acentuada nas últimas décadas. O país saiu de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para apenas 665 mil barris diários em 2021. Em 2024, houve uma leve recuperação, mas o volume ainda representa menos de 1% da produção global.
Para efeito de comparação, o Brasil, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), produziu 3,773 milhões de barris de petróleo por dia em novembro de 2025, chegando a quase 5 milhões de barris diários quando se soma petróleo e gás natural.
Petróleo pesado e de alto custo
Uma das principais barreiras para produção venezuelana está na qualidade do petróleo. De acordo com especialistas, o óleo extraído no país é mais pesado, viscoso e possui maior teor de enxofre e metais, encarecendo tanto a extração quanto o refino.
“No caso do Brasil, o petróleo é mais leve, o que facilita o refino e permite a produção de derivados mais valorizados, como gasolina e diesel”, explica a pesquisadora da FGV Energia, Luiza Guitarrari, em entrevista ao g1.
Além disso, o petróleo brasileiro apresenta menores emissões de CO₂, fator cada vez mais relevante no mercado internacional, como destaca o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.
Infraestrutura deteriorada e sanções
Anos de sanções internacionais, instabilidade política e endividamento elevado também comprometeram a capacidade da Venezuela de extrair, processar e exportar petróleo. A estatal PDVSA chegou, inclusive, a reduzir a produção por falta de mercados consumidores.
Atualmente, cerca de 43% das exportações venezuelanas têm como destino países asiáticos. Os Estados Unidos, que possuem refinarias capazes de processar petróleo pesado, continuam importando volumes menores do que no passado.
Falta de investimentos e perda técnica
A escassez de investimentos ao longo dos anos também pesou. Com a nacionalização do setor e a exigência de controle majoritário da PDVSA, diversas empresas estrangeiras deixaram o país. A saída dessas companhias causou a perda de quadros técnicos experientes. “Sem um ambiente de negócios favorável, o capital se deprecia e a produção cai”, afirma Claudio Frischtak, da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios em entrevista ao g1.
O cenário se agravou durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, com redução do investimento e envelhecimento dos equipamentos.
Perspectivas e interesse internacional
Após a recente prisão de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende abrir o setor petrolífero venezuelano para empresas norte-americanas. Segundo Trump, empresas dos EUA investiriam bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura e ampliar a produção, mas especialistas alertam que isso pode levar anos.





