A discussão sobre novos formatos de jornada de trabalho tem ganhado força no Brasil. A MOL Impacto, empresa dedicada a negócios de impacto social, decidiu experimentar a escala de quatro dias úteis por semana no início de 2024, dentro do projeto-piloto global 4 Day Week (4DW). A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Reconnect Happiness At Work e o Boston College. As informações são do Você RH.
Impactos no bem-estar e na produtividade
Dezoito meses após a implantação, os números internos confirmaram avanços importantes. Uma pesquisa realizada em julho mostrou que 91% dos colaboradores perceberam melhora na saúde mental e 70% afirmaram estar mais satisfeitos com a empresa. O reflexo no ambiente de trabalho também foi expressivo: 85% reconheceram ganhos no clima organizacional e na cooperação entre colegas.
A redução de um dia útil não significou queda de desempenho. A média de carga semanal ficou em 32,5 horas, e apenas 3% ultrapassam esse limite com frequência. A maioria relatou sentir menos desgaste físico e emocional, enquanto 81% declararam estar mais motivados e com energia para o dia a dia.
Novos hábitos e mudanças de cultura
O novo formato também impactou a vida pessoal. Três em cada dez funcionários passaram a dormir mais, e 61% aumentaram a prática de atividades físicas. Segundo a direção, a reorganização do trabalho exigiu planejamento, registro de processos e mais compartilhamento de informações, criando uma cultura colaborativa que evita sobrecarga em quem está de folga.
Política permanente e desafios futuros
Em agosto, a MOL Impacto transformou o piloto em política oficial e incluiu a redução da jornada nos contratos CLT, reforçando a defesa de melhores condições de trabalho. Roberta pondera, no entanto, que nem todos os setores poderiam adotar o modelo sem ajustes, mas considera essencial repensar a lógica de produtividade no país.
A experiência também chegou ao Instituto MOL, braço social da organização, onde a rotina já foi adaptada. Para a diretora Mariana Campanatti, a mudança não é apenas sobre trabalhar menos horas, mas sobre reconhecer que qualidade de vida e resultados podem caminhar juntos.






