A exclusão do teste de baliza da etapa prática para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), adotada recentemente em estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul, pode tornar o processo de aprovação menos rigoroso. No entanto, a mudança também desperta preocupações quanto à preparação dos novos motoristas e à segurança no trânsito. A avaliação é do professor e pesquisador Luiz Vicente Figueira de Mello, da Faculdade de Engenharia de Transportes da Unicamp. As informações são do UOL.
Manobra básica no aprendizado ao volante
Para o especialista, a baliza faz parte dos fundamentos da direção. Trata-se de um exercício essencial para que o condutor iniciante compreenda o tamanho do veículo e desenvolva percepção espacial. Segundo ele, essa habilidade representa o primeiro contato real com o controle do carro em espaços reduzidos, algo indispensável no cotidiano urbano.
A ausência dessa exigência pode gerar impactos diretos na circulação das cidades. Mello destaca que a dificuldade em estacionar contribui para lentidão e congestionamentos, sobretudo em regiões com grande concentração de veículos. Quando o motorista não domina essa manobra, o tempo gasto na procura por vagas tende a aumentar, afetando o fluxo do trânsito.
Aprovação facilitada e formação incompleta
Na avaliação do pesquisador, retirar a baliza do exame torna o processo mais simples para o candidato, mas cria lacunas importantes na formação. A medida, segundo ele, favorece quem busca a habilitação, mas não necessariamente traz benefícios para a coletividade. Em centros urbanos com tráfego intenso, o reflexo pode ser negativo.
Além disso, a baliza sempre foi um dos pontos mais rigorosos da prova prática. Sem esse critério, o exame perde parte da capacidade de diferenciar candidatos mais preparados daqueles com menor domínio do veículo.
Flexibilização exige acompanhamento
Mello chama atenção para o conjunto de mudanças recentes, como a ampliação do uso de carros automáticos, que também reduzem reprovações. Para ele, a soma dessas flexibilizações pode colocar nas ruas motoristas com preparo limitado.
Apesar disso, o professor acredita que as autoescolas continuarão desempenhando papel central, ainda que parte dos alunos opte por percursos mais rápidos e baratos. A prática da baliza, segundo ele, deve seguir sendo ensinada, embora de forma menos uniforme.
Os efeitos da mudança, contudo, só poderão ser avaliados com o tempo. O pesquisador defende o acompanhamento de dados oficiais sobre acidentes e perfil dos condu





