Um dos quadros mais conhecidos do mundo acaba de ganhar uma interpretação com identidade latino-americana. A tradicional Mona Lisa, criada por Leonardo da Vinci, foi recriada em escala monumental em El Salvador. O mural tem 13 metros de altura e ocupa a fachada de um edifício residencial.
A obra foi instalada em Zacamil, no bairro de Mejicanos, região popular de San Salvador. A área, que até pouco tempo era associada à atuação de gangues, vive uma nova realidade após a política de segurança adotada pelo presidente Nayib Bukele. A redução da criminalidade abriu espaço para iniciativas culturais.
Arte com material reciclado
A releitura impressiona não apenas pelo tamanho. O artista utilizou cerca de 100 mil tampinhas plásticas recicladas para compor a imagem. As peças, de diferentes cores e dimensões, formam um grande mosaico a céu aberto.
O trabalho dialoga com a técnica pontilhista do pintor francês Paul Signac. Ao contrário da versão original, marcada por tons escuros e atmosfera sóbria, a obra salvadorenha aposta em cores vivas e contraste intenso.
Traços latinos
A figura retratada mantém a essência da Gioconda. Mas os detalhes mudam. A personagem surge com cabelo preto, vestido colorido, acessórios e olhar marcante. O rosto aparece levemente de perfil.
A proposta, segundo o autor, foi criar uma Gioconda com identidade regional. “Quis representar uma Gioconda latino-americana”, afirmou o venezuelano Óscar Olivares, em entrevista à AFP.
Carreira internacional
Aos 29 anos, Olivares já soma intervenções artísticas em países como Venezuela, México, Arábia Saudita e Itália. A marca registrada é o uso de materiais reaproveitados em obras de grande dimensão.
Para ele, a escolha da Mona Lisa carrega simbolismo. A pintura original de Leonardo da Vinci tornou-se um ícone do Renascimento italiano. Ao transportar essa referência para a América Latina, o artista defende a ideia de um novo momento cultural.
Transformação urbana
O mural rapidamente virou ponto de visitação. Moradores e turistas param para observar os detalhes formados pelas tampinhas. Fotos e vídeos circulam nas redes sociais.
A iniciativa reforça o papel da arte como instrumento de transformação urbana. Em uma área antes estigmatizada, a fachada colorida agora se destaca como símbolo de mudança e criatividade.
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