Pernambuco deve reforçar o transporte ferroviário urbano com a chegada de cinco trens que hoje pertencem à Trensurb, empresa que atua na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Os veículos, integrantes da antiga série 100, serão incorporados temporariamente à operação da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) no Recife.
A transferência ocorre após solicitação do Ministério das Cidades e terá duração prevista de cinco anos. A medida surge em meio às dificuldades enfrentadas pelo sistema pernambucano, que convive com frota limitada, necessidade de manutenção constante e escassez de investimentos.
Reforço temporário para ampliar a operação
Ainda não foi definido o dia exato do envio, mas a expectativa é de que a liberação ocorra a partir de março. Ao fim do período estabelecido, os trens deverão retornar ao Sul em condições adequadas de funcionamento.
Mesmo com a cessão dos veículos, a direção da Trensurb afirma que não haverá prejuízo à circulação em Porto Alegre e nas cidades atendidas pelo sistema gaúcho. Segundo o presidente da estatal, Nazur Garcia, a empresa mantém margem operacional suficiente para atender à demanda atual.
Hoje, até 17 composições circulam simultaneamente nos horários de maior movimento. Antes das enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul, a operação já chegou a colocar 22 trens em atividade, transportando cerca de 120 mil passageiros por dia. Após a retomada do serviço, o fluxo diário gira em torno de 95 mil a 100 mil usuários.
Recuperação e planejamento
A frota total da Trensurb é composta por 40 trens. Desse conjunto, 25 são unidades fabricadas em 1984, que não possuem ar-condicionado. Três delas foram danificadas pelas enchentes de maio de 2024 e passam por recuperação. Outros 15 veículos foram adquiridos em 2013, sendo que um também sofreu impactos das chuvas e aguarda reparos.
Com a demanda atual, a direção avalia que 25 trens em operação são suficientes para manter o atendimento regular aos passageiros. Além disso, há expectativa de melhoria no serviço ainda no primeiro semestre, caso sejam concluídas as obras nas subestações de energia em Porto Alegre e Canoas.
Se a capacidade máxima voltar a 22 trens circulando ao mesmo tempo, o intervalo entre as viagens poderá cair de oito para cinco minutos nos horários de pico.
Enquanto isso, Pernambuco se prepara para receber o reforço. A chegada das composições pode representar alívio para um sistema que atende diariamente milhares de usuários em diferentes municípios da Região Metropolitana do Recife.






