A Operação Rede Obscura, deflagrada pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) na última terça-feira (5), revelou que duas empresas de internet mantinham o monopólio em áreas da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro com o auxílio direto do tráfico. Ambas contavam com autorização da Anatel para a prestação de serviços.
Segundo a DDSD, as empresas, além de monopolizarem o serviço por meio da força, impediam que técnicos de outros operadoras atuassem nas regiões onde prestam serviço. Há relatos de que, quando esses funcionários conseguiam adentrar nas regiões, tinham equipamentos confiscados ou até furtados.
Em entrevista ao ‘Jornal O Globo’, o delegado Pedro Brasil, titular da DDSD, disse que polícia tomou conhecimento da situação após receber denúncias da população por meio do Disque Denúncia e reclamações de operadora, como a a Claro e Vtal.
De acordo com ele, os criminosos se apropriaram dos cabos e da infraestrutura já instalada pelas operadoras autorizadas e, sob a proteção armada do tráfico, passaram a controlar completamente a oferta de internet: “Foi uma operação bastante exitosa. Conseguimos apreender um vasto material probatório. O objetivo é juntar e ampliar essa operação para desmembrar essa investigação para lavagem de dinheiro”.
As conexões de Flaquinet e RDO com o crime
Uma das empresas sob investigação é a Flaquinet Serviços Ltda, que atuava no Morro do Quitungo e, conforme a polícia, tem ligação com o Comando Vermelho. Rogério Nascimento, responsável pela empresa, possui antecedentes por tráfico de drogas, furto de energia e receptação.
Segundo a Polícia Civil, em seu depoimento, Rogério confessou ter recebido propostas de outras facções para expandir os serviços para outras comunidades e também admitiu fazer repasses financeiros regulares a líderes do tráfico.
Já a RDO Telecomunicações atua principalmente em Cordovil, Cidade Alta e regiões próximas, e estaria associada ao Terceiro Comando Puro. Seu proprietário, Renato de Oliveira, já foi preso em flagrante por receptação qualificada, após a polícia localizar em um galpão na Penha uma grande quantidade de cabos pertencentes a operadoras autorizadas, além de veículos sem nota fiscal.
A Anatel confirmou que as empresas mencionadas têm autorização para prestar serviços de internet. No entanto, conforme a Polícia Civil, apesar dessa autorização, a forma como operavam era irregular: as empresas estavam ligadas a facções criminosas e bloqueavam a entrada de concorrentes nas comunidades.






