A decisão que levou a Acadêmicos de Niterói à última posição do Grupo Especial em 2026 provocou reações no meio político e nas redes sociais. A agremiação, que apresentou um enredo sobre a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acabou rebaixada após enfrentar dificuldades na dispersão e conquistar apenas duas notas máximas na apuração realizada na Marquês de Sapucaí.
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, usou o Instagram para compartilhar um trecho do samba-enredo: “Lute para vencer, aceite se perder. Se o ideal valer, nunca desista”. Em seguida, republicou a imagem de um carro alegórico que trazia um boneco do presidente acompanhado da frase “A arte não é para os covardes”.
Embora estivesse autorizada a desfilar, por não ocupar cargo público, Janja optou por acompanhar a apresentação das arquibancadas, ao lado de Lula. O espaço inicialmente reservado a ela em um dos carros foi ocupado pela cantora Fafá de Belém. Em nota, afirmou que, apesar de ter segurança jurídica para participar, preferiu permanecer ao lado do presidente.
O casal assistiu ao desfile no camarote da prefeitura do Rio, junto ao prefeito Eduardo Paes (PSD). Em determinado momento, desceram à pista para cumprimentar integrantes das escolas que se apresentaram no domingo: Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira. Lula beijou o pavilhão das agremiações.
Após o resultado, Janja classificou a escola como “extremamente corajosa” por levar o enredo à avenida mesmo diante das críticas. Para ela, a noite representou uma celebração da cultura brasileira, do presidente e do tradicional espetáculo das escolas de samba do Rio.
Críticas e questionamentos na Justiça
Antes mesmo da apuração, o desfile já era alvo de ações judiciais que tentaram suspender a apresentação sob o argumento de propaganda eleitoral antecipada.
O Partido Novo informou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também criticou o desfile e declarou que ingressará com ação na Corte eleitoral.
No Congresso, a Frente Parlamentar Católica e a Frente Parlamentar Evangélica afirmaram que o conteúdo apresentado desrespeitou a fé cristã e informaram que pretendem acionar o Judiciário e órgãos de controle.
Já a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro declarou, em nota, que a escola teria cometido preconceito religioso contra cristãos. Em contraponto, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, considerou exageradas as críticas e classificou como descabida a tentativa de transformar a homenagem carnavalesca em desgaste político.






