Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, se tornou o protagonista de um dos maiores escândalos financeiros recentes do Brasil. Conhecido por transformar a Máxima Corretora, fundada em 1974, em um conglomerado financeiro com atuação em crédito, investimentos e bancos digitais, Vorcaro agora enfrenta acusações de fraude, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Nesta quarta-feira (4), ele teve prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após investigações da Polícia Federal indicarem que o banqueiro mantinha uma rede de intimidação, corrupção de servidores públicos e até uma “milícia privada” para pressionar opositores.
A crise do Banco Master
O Banco Master, sob controle de Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025, por risco de insolvência e descumprimento de normas do Banco Central (BC). A instituição oferecia CDBs com rendimentos muito acima do mercado, estratégia que encobria graves problemas de liquidez.
O colapso atingiu várias empresas do grupo, incluindo o Will Bank e o Banco Pleno, afetando milhões de clientes e gerando ressarcimento bilionário pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Acusações que motivaram a nova prisão
A decisão do STF destacou mensagens e provas indicando que Vorcaro ordenou agressões, cooptação de servidores do BC, espionagem em órgãos de fiscalização e emissão de cerca de R$ 50 bilhões de títulos sem lastro.
O objetivo era manter controle sobre o grupo, mesmo diante de falência iminente. Além disso, cerca de R$ 22 bilhões em bens do empresário foram bloqueados para ressarcir prejuízos ao sistema financeiro.
Tentativas frustradas de venda e repercussão política
Antes da liquidação, o BRB tentou adquirir o controle do Master, mas a operação foi barrada pelo BC por falta de transparência. A negociação gerou desgaste político, desgaste da credibilidade do BRB e prejuízos bilionários envolvendo créditos falsos.
Impacto sobre clientes e sistema financeiro
Milhões de clientes ficaram com contas bloqueadas. Investidores protegidos pelo FGC receberam parte dos valores, mas aplicações acima de R$ 250 mil ou contas de pagamento do Will Bank ainda aguardam ressarcimento.






