Após um ano marcado por reajustes expressivos, o mercado de aluguel residencial entra em 2026 sem sinais claros de alívio. Os dados consolidados de 2025 mostram que os preços avançaram, em média, 8,85%, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O movimento reflete a combinação entre procura elevada por imóveis para locação e a atualização de valores que ficaram represados em períodos anteriores. As informações são da Veja.
Somente em dezembro, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) registrou alta de 0,51%, contribuindo para pressionar ainda mais o resultado acumulado em 12 meses. O indicador confirma que a tendência de encarecimento segue presente, especialmente nas grandes cidades.
Reajustes acima do registrado no ano anterior
Na avaliação de Matheus Dias, economista do FGV Ibre, o desempenho de 2025 superou, ainda que por margem estreita, os reajustes observados ao longo de 2024. Para ele, esse comportamento revela que o mercado continua sentindo os efeitos tardios da inflação, além de um processo contínuo de recomposição dos preços.
Segundo o especialista, o começo de 2026 deve manter a mesma dinâmica. Juros elevados, inflação de serviços resistente e uma oferta limitada de imóveis, sobretudo em regiões centrais, seguem criando um ambiente favorável a novos aumentos. “São fatores estruturais que dificultam uma desaceleração mais rápida dos preços”, avalia.
Capitais sentem impacto de forma desigual
Os dados mais recentes também mostram que a pressão não se distribui de maneira uniforme entre as capitais analisadas. Entre novembro e dezembro de 2025, três das quatro cidades pesquisadas registraram avanço nos valores cobrados. Belo Horizonte apresentou a maior variação mensal, com alta de 1,11%, indicando um mercado especialmente aquecido.
O Rio de Janeiro, por outro lado, manteve os preços estáveis no período, o que pode sinalizar uma acomodação pontual, sem indicar, necessariamente, uma reversão de tendência. Especialistas destacam que oscilações mensais fazem parte do comportamento do setor, mas o cenário geral ainda aponta para um mercado de locação pressionado.
Expectativas para os próximos meses
Com a combinação de demanda firme e limitações na oferta, a perspectiva para os próximos meses é de continuidade dos reajustes, ainda que em ritmo variável. Para inquilinos, o momento exige planejamento financeiro, enquanto proprietários seguem atentos às condições do mercado para definir valores e contratos.






