Um caso intrigante registrado na Holanda chamou a atenção da comunidade médica. Uma mulher relatava enxergar dragões nos rostos de pessoas conhecidas e desconhecidas. O fenômeno, que poderia parecer delírio ou alucinação, era, na verdade, consequência de um distúrbio neurológico extremamente raro: a prosopometamorfopsia (PMO), responsável por provocar distorções faciais na visão de seus portadores.
Distúrbio raríssimo
De acordo com uma revisão publicada na revista Cortex em 2021, apenas 81 casos de PMO foram documentados em todo o mundo ao longo do último século. A condição altera a percepção visual dos rostos, que passam a assumir formas irreais.
O caso da holandesa foi descrito na revista médica The Lancet. Ela relatou que, desde a infância, via feições humanas se transformarem em figuras reptilianas, com orelhas pontudas, focinho alongado e olhos semelhantes aos de dragões. Esse sintoma levou ao isolamento social, já que a mulher evitava interações com amigos e familiares.
Investigação médica
A paciente buscou ajuda apenas aos 52 anos, em uma clínica psiquiátrica em Haia. Inicialmente, exames de sangue, avaliações neurológicas e encefalogramas não revelaram alterações significativas. Porém, uma ressonância magnética trouxe pistas importantes: foram identificadas lesões próximas ao núcleo lentiforme, região do cérebro ligada a funções cognitivas e a distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia.
Os especialistas também levantaram a hipótese de atividade elétrica incomum nas áreas responsáveis pelo reconhecimento de rostos e pelo processamento de cores. Essa combinação sustentou o diagnóstico de prosopometamorfopsia.
Tratamento e melhora
Sob orientação da equipe médica, liderada por Jan Dirk Blom, do Instituto de Psiquiatria Parnassia, a mulher passou a ser tratada com rivastigmina, medicamento indicado para sintomas de demência em casos de Alzheimer e Parkinson. Após três anos de acompanhamento, os episódios de distorção visual se tornaram mais raros e menos intensos, permitindo que ela retomasse parte de sua vida social.
Segundo especialistas, o caso reforça como determinadas percepções podem estar profundamente ligadas à estrutura cerebral desde cedo, mesmo quando outras funções cognitivas seguem preservadas.






