Ambulantes flagrados vendendo latinhas de Xeque Mate nos circuitos oficiais do Carnaval de São Paulo podem perder o credenciamento para trabalhar durante o período festivo.
A restrição ocorre porque a Ambev, patrocinadora master do evento desde 2017, detém o direito exclusivo de comercializar suas marcas nos blocos de rua da capital.
Neste ano, o investimento da empresa no Carnaval paulistano chegou a R$ 29,2 milhões. Pelo modelo adotado pela prefeitura do estado, toda a estrutura do evento, incluindo segurança, limpeza urbana, postos médicos e logística, é financiada pela iniciativa privada. Em contrapartida, a patrocinadora principal controla a cadeia de venda de bebidas nos circuitos oficiais.
Cerca de 15 mil ambulantes foram credenciados para vender apenas produtos da companhia, como Skol, Beats, Corona, Budweiser e Guaraná Antarctica. A comercialização de marcas fora da lista pode resultar na cassação da autorização.
“Contrabando informal” e resistência
Apesar da fiscalização da Guarda Civil Metropolitana, alguns vendedores escondem latas de Xeque Mate sob gelo e entre bebidas permitidas. A prática virou uma espécie de “contrabando informal” dentro dos blocos.
Produzida em Minas Gerais, a Xeque Mate ganhou popularidade nos últimos anos, especialmente no Carnaval, por ter teor alcoólico mais elevado e apelo alternativo.
Proibida oficialmente nos circuitos patrocinados, a bebida se espalhou de forma discreta entre os foliões, se transformando em símbolo de resistência ao modelo de exclusividade adotado na capital paulista.
Impacto nos blocos e no mercado
O modelo de exclusividade também influencia o financiamento da festa. Colocar um bloco médio ou grande na rua pode custar entre R$ 250 mil e R$ 450 mil e o fomento público cobre apenas parte desse valor. Como a patrocinadora concentra a exploração comercial, blocos não podem negociar diretamente com marcas concorrentes.
A maior parte do patrocínio privado acaba sendo direcionado aos megablocos, impulsionados por grandes artistas. Blocos tradicionais ou comunitários acabam sofrendo maiores dificuldades para fechar parcerias e manter a estrutura, se tornando dependentes do modelo centralizado.






