Os preços da gasolina seguem em alta no Brasil e continuam a impactar o orçamento das famílias. Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor médio do litro atingiu R$ 6,17 na primeira semana de setembro de 2025. O preço representa praticamente o dobro do registrado em 2015, quando custava em torno de R$ 3,27.
O cenário pode piorar com o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A mudança entra em vigor em janeiro de 2026 e deve pressionar ainda mais os preços nas bombas.
Reajuste aprovado pelo Confaz
O aumento do ICMS foi publicado no Diário Oficial da União na última segunda-feira (8). Atualmente, a alíquota fixa do tributo equivale a R$ 1,47 por litro, mas passará a R$ 1,57 no próximo ano. Especialistas alertam que o acréscimo será repassado integralmente aos consumidores, podendo variar de acordo com logística e margens de revenda em cada estado.
Hoje, os tributos federais e estaduais respondem por cerca de 35% do valor da gasolina, sendo o ICMS o de maior peso. Com o reajuste, a participação do imposto deve crescer ainda mais, alimentando críticas sobre o custo da carga tributária.
Comparação histórica e poder de compra
Apesar da forte alta nominal, quando comparado ao salário mínimo, o peso da gasolina se manteve relativamente estável. Em 2015, o litro representava 0,41% do salário mínimo de R$ 788. Em 2025, o percentual é de 0,40%, considerando o piso atual de R$ 1.518. Essa valorização ajudou a amortecer parte do impacto para o consumidor.
Ainda assim, o aumento afeta toda a economia, já que encarece o frete, o transporte público e os custos logísticos, pressionando a inflação.
Perspectivas para 2026
Economistas já projetam que os combustíveis serão novamente protagonistas na inflação do próximo ano. Além do ICMS mais alto, o preço internacional do petróleo e a cotação do dólar continuarão sendo determinantes.
Com isso, motoristas buscam alternativas como o etanol, em alguns estados até 30% mais barato, e o crescimento da procura por carros híbridos e elétricos também ganha fôlego — embora o preço desses veículos ainda seja um obstáculo para a maioria dos brasileiros.






