A mobilização de caminhoneiros anunciada para esta quinta-feira (4), planejada em diversos estados como forma de pressionar por alterações no transporte rodoviário e por novas garantias à categoria, não deve ganhar força na Baixada Santista. Apesar de articulações nacionais por bloqueios e interrupção de atividades, entidades locais descartam qualquer participação oficial.
O Sindicam-Baixada, que representa os transportadores autônomos da região e do Vale do Ribeira, divulgou comunicado reafirmando que não apoia o ato. A entidade ressalta que reconhece o direito de manifestação, mas avalia que a mobilização reúne pautas que extrapolam o interesse exclusivo dos caminhoneiros, abrindo espaço para disputas políticas.
Caminhoneiros independentes também afirmam que não houve assembleias ou votações que justificassem uma paralisação regional, reforçando o distanciamento da Baixada em relação ao movimento nacional.
Lideranças defendem diálogo e consenso
Para Marcelo Paz, presidente da Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos do Porto de Santos, decisões desse porte precisam ser debatidas coletivamente. Segundo ele, uma paralisação sem consulta à categoria “impactaria diretamente o funcionamento do Porto de Santos e a economia local”, o que torna necessária maior responsabilidade antes de qualquer adesão.
Em nota datada de 4 de dezembro de 2025, o Sindicam reafirmou sua posição. A entidade frisou que sua atuação está voltada exclusivamente para a defesa das condições de trabalho e da dignidade dos profissionais da região, e que não se envolverá em movimentos que considera ter caráter político.
Entenda as reivindicações discutidas no movimento nacional
Fora da Baixada, o ato reúne demandas diversas: revisão do marco regulatório do setor, criação de aposentadoria especial de 25 anos, ampliação do piso mínimo do frete e instalação de pontos de descanso nas rodovias. Também aparecem propostas mais amplas, como subsídio ao diesel, linhas de crédito para caminhoneiros negativados e isenção de IPI para renovação de frota.
Entre as pautas mais controversas estão a reserva de 30% das cargas de estatais para autônomos, a criação de uma Justiça específica para o transporte e pedidos de anistia penal e administrativa a envolvidos em manifestações de anos anteriores.
Região mantém atenção, mas operação deve seguir normal
Com sindicatos, cooperativas e associações da Baixada Santista sem alinhamento com o movimento, o cenário esperado é de normalidade nesta quinta-feira, sobretudo nas vias de acesso ao Porto de Santos.
Nas redes sociais, lideranças nacionais tentam afastar o caráter político da mobilização, mas manifestações de apoiadores de pautas pró-anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro reacenderam o debate sobre possíveis influências ideológicas. Entre as entidades da região, esse ponto pesou para o distanciamento em relação ao ato.
Assim, mesmo com mobilizações pelo país, a tendência é de baixa adesão local — e de rotas liberadas na Baixada.






