Quando os termômetros começam a subir no verão, alguns brasileiros clamam insistentemente por temperaturas mais amenas, principalmente quando não há a possibilidade de praticar atividades que ajudem a amenizar o calor, como ir à praia.
Em contrapartida, no vilarejo de Oymyakon, localizado no extremo leste da Sibéria, Rússia, qualquer resquício de calor pode ser considerado um privilégio, pois o local é dono do título de “cidade habitada mais fria do mundo”.
Enquanto outras regiões da Rússia, como Moscou e São Petersburgo, atingem temperaturas mínimas que variam entre -5 ºC e -10 ºC, Oymyakon já registrou o impressionante marco de -71,2 °C, e frequentemente expõe sua população a temperaturas abaixo de -50 °C.
Por conta disso, a vida no vilarejo é extremamente desafiadora, pois além dos perigos oferecidos pelo próprio frio em si, não há sistema tradicional de água encanada, pois há risco de congelamento. Já carros e equipamentos eletrônicos constantemente deixam de funcionar.
Além disso, atividades como a agricultura são impraticáveis no local, limitando assim não apenas a alimentação, mas também a economia. Apesar disso, os milhares de moradores que ainda vivem em Oymyakon não parecem estar dispostos a abandonar o vilarejo, tendo construído uma relação singular com o clima extremo.
Por trás do clima de Oymyakon: por que o frio extremo tomou conta da cidade?
É importante destacar que o frio extremo em Oymyakon não está relacionado apenas à localização do vilarejo em si, mas sim a uma combinação de raros fatores geográficos e atmosféricos que resultam no singular ambiente. São eles:
- Continentalidade: Oymyakon está localizado bem no interior do continente eurasiano, longe da influência moderadora dos oceanos, que contribuem para climas mais equilibrados;
- Topografia: o vilarejo fica em um vale cercado por montanhas que “prendem” o ar frio e fazem com que as temperaturas no nível do solo caiam de maneira extrema;
- Latitude norte e pouca luz solar: a alta latitude norte em que Oymyakon se encontra resulta em dias mais curtos e, consequentemente, com menos incidência de luz solar;
- Permafrost e neve: as grossas camadas de neve que cobrem o solo da região impedem a reflexão da pouca energia solar, perpetuando assim as condições de frio.






