O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, voltou a se ver no centro de um debate sobre gestão corporativa e direitos dos trabalhadores. Recentemente, a instituição promoveu um número não confirmado de demissões, alegadamente após uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada”.
De acordo com nota divulgada pelo próprio banco, os desligamentos ocorreram depois de constatar incompatibilidades entre a atividade dos colaboradores nas plataformas corporativas e os registros de ponto. Em outras palavras, a instituição entendeu que as horas efetivamente trabalhadas não correspondiam ao que havia sido registrado no sistema de jornada.
O episódio gerou forte reação do movimento sindical, que classificou as demissões como injustas, unilaterais e sem diálogo, acusando o banco de adotar uma postura de vigilância que desconsidera as particularidades do trabalho remoto.
Embora o banco não tenha divulgado o número exato de profissionais afetados, fontes internas indicam que os desligamentos envolvem funcionários em regime remoto que apresentaram suposta inatividade prolongada, em alguns casos superior a quatro horas, conforme levantamento do sindicato.
A análise do desempenho teria se baseado em dados de uso das máquinas corporativas, incluindo tempo de inatividade, número de cliques e acessos a sistemas. Essa abordagem reflete uma tendência crescente em grandes empresas: a utilização de softwares de monitoramento para mensurar produtividade e presença online.
Resposta do Sindicato dos Bancários de São Paulo
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região expressou veemente repúdio às recentes demissões promovidas pelo Itaú Unibanco, que impactaram aproximadamente mil funcionários em regime híbrido ou totalmente remoto.
A entidade criticou a ausência de diálogo prévio e de advertências antes dos desligamentos, classificando-os como arbitrários e desrespeitosos. Além disso, questionou os critérios adotados pelo banco, como a medição de períodos de inatividade nas máquinas corporativas, que nem sempre refletem com precisão a realidade do trabalho remoto.






